swaldo Goeldi

Exposições

Próximas Exposições já confirmadas em 2012:

Oswaldo Goeldi

MAM - Museu de Arte de São Paulo - 12/06/2012

Curadoria: Lani Goeldi e Paulo Venâncio Filho

-----------------------

Goeldi e Dostoievsky

Caixa Cultural Rio de Janeiro - 16/09/2012

Curadoria : Lani Goeldi

___________________________________________________________________________________________________

Goeldi - Poesia Gravada

Museu da Universidade Federal do Pará - Belém Pará

13/12/2011 a 19/02/2012

Curadoria: Lani Goeldi

Sombras...
Ondas...
E, o vento...
Segurem os chapéus!

Ao horizonte,
um Sol Vermelho
que nos faz pensar. . .
como é belo andar na Rua Molhada
depois da Chuva!

Poesia pura,
Briga de Rua
e num beco escuro
vemos ao fundo
um lindo Noturno.


Em 1901, Oswaldo Goeldi deixou pela primeira vez Belém e suas lembranças. A partir de então, sua memória consciente pouco lembrara dos detalhes dessa terra, em especial do clima tropical e dos jardins do museu onde morava.

Há exatamente setenta e três anos atrás (1938), Oswaldo Goeldi, retorna à Belém do Pará com o objetivo de expor suas obras no Arquivo Público Municipal.

Num discurso saudosista da época, o artista deixou a cidade prometendo um dia voltar...

Anos mais tarde, ao introduzir as cores em suas gravuras, pode compreender a razão inconsciente de suas obras, que retratavam a coloração harmoniosa da fauna e flora paraense.

Posteriormente, Oswaldo Goeldi e sua Obra, constroem um universo metafísico próprio da criação, sua “Obra Maior”, nasce inspirada num universo totalmente novo, magistralmente criado e perpetuado ao longo de sua humilde existência, a partir de um simples pedaço de madeira faz a Arte da Xilogravura assumir um caráter essencialmente expressionista, moderno e romântico.

Goeldi, nas precisas incisões de suas matrizes, sulcadas através de ferramentas confeccionadas por ele mesmo, a partir de varetas de guarda chuvas, marca e inicia a ressurreição de um estilo, dando “Luz à Sombra”.
Através de goivas e buris, traz vida aos personagens. Estes, em sua grande maioria, enigmáticas, fantasmagóricas, soturnas e solitárias, a desfilarem por toda sua Obra.

Perfis paralelos ao nosso cotidiano que ao mesmo tempo seguem a modernidade, compondo cenários de alegria e pura arte.
Amigos, companheiros, cavaleiros, desbravadores de sonhos, pescadores e mares. Tal cotidiano insano, que lhe tirou tudo de mais precioso, lhe devolveu também dons que foram agarrados como única fonte de vida, o que a tornou menos monótona e densa.

Mudo e, ao mesmo tempo, interlocutor, preciso e indefinido, Oswaldo Goeldi consegue atingir o expectador solitário perante qualquer uma de suas Obras, encontrando respostas contidas em sombrios abismos pessoais e íntimos de cada admirador de sua arte.

Como Artista, descobriu por si mesmo tudo que foi necessário a sua expressão e aos valores de sua Obra. Como bem disse Manuel Bandeira “ele foi o homem que nunca mentiu”, retratava cenas do cotidiano de forma desolada e solitária, a multidão em seu trabalho jamais foi retratada. Goeldi invade com sua obra o intimo do ser humano, a noite, os peixes, a garça... Enfim, os animais e os rejeitados, entoando uma estranha canção nostálgica e natural, em meio ao trópico, ao delírio e a exuberância de sua criação.

Os céus têm grande relevância em seus trabalhos, o amanhecer e o entardecer...
E a noite lhe trouxe a certeza de estarmos aqui hoje. Para ao lado dos poucos alunos que teve, rendermos o eterno tributo à grandiosidade de sua Obra.

Como ele, acredito em conto de fadas, acredito transcender o tempo para aqui materializar sua volta a esta cidade, de onde saiu aos sete anos de idade...

Oswaldo Goeldi saiu de Belém para ver luz em um beco escuro, tal qual, a lua sobre o mar azul e, fez deste beco escuro um imperdível espetáculo de sombras!


Lani Goeldi Curadora (Texto para Catalogo da Exposição

___________________________________________________________________________________________

Oswaldo Goeldi - Cena Urbana

Embaixada Brasileira em Londres

15/04 a 13/05/2011

______________________________________________________________________________________________

Programa de Exposições Itinerantes do Estado de São Paulo

Oswaldo Goeldi - Livio Abramo e Marcelo Grassmann

Cidades: São Simão, Araraquara, Sertãozinho e Riberão Preto

___________________________________________________________________________________________

Oswaldo Goeldi na 29a. Bienal de São Paulo

Pavilhão da Bienal no Ibirapuera - SP

______________________________________________________________________________________________

Exposição Goeldi - O Encantador das Sombras

Centro Cultural dos Correios do Rio de Janeiro

Num espaço de aproximadamente 800m2 , no mes de julho de 2010 inauguramos a maior esposição de Oswaldo Goeldi já vista em todo mundo. Recorde de público mais de 10.000 visitantes entre 21/07 a 05/09/2010

Goeldi, o Encantador das Sombras

Simples, soturnos e solitários, em toda a obra de Oswaldo Goeldi encontramos personagens assim descritos.

Perfis tão paralelos, porém tão divergentes, fazendo parte de cenários fantasmagóricos e repletos de melancolia.
Sombras, ondas e o vento...

- Por favor, segurem os chapéus!...

E, ao olhar o horizonte, vejo um lindo céu vermelho, que me faz pensar como é belo andar na rua molhada depois da chuva.

Às vezes me deparo com casarios antigos e reparo nas mulheres exuberantes e mal vestidas debruçadas nas janelas...

Poesia pura, briga de rua e num beco obscuro, ouço ao fundo um lindo noturno.

Goeldi, errante da madrugada, admirador do mar, peixes e pescadores, possuía poucos amigos, companheiros e cavaleiros, desbravadores de sonhos, mares e estradas.

Vivia seu cotidiano insano e melancólico mesmo acreditando em contos de fadas, como certa vez afirmou.

A arte foi seu grande refúgio, tirou a luz das sombras e deu sombras a luz, ilustrando poemas e novelas, criando cenários de sua intimidade mais sincera realizando uma síntese de arte e literatura.

Sua arte como sua fonte de vida, luz de um beco escuro e lua sobre o mar azul. Do contraste entre o vinco branco e o suporte negro ele extraiu o legítimo sentido da gravura.

Oswaldo Goeldi, o encantador das Sombras, transcende o tempo, aos poucos vai repaginando a história desta exposição pela primeira vez com este enfoque.
Em sua cidade natal do Rio de Janeiro, palco de suas maiores inspirações, trago-o de volta à cidade maravilhosa.

Segui os passos do artista, procurando entender suas motivações e delineando o campo profissional em que atuou, abandonei algumas interpretações recorrentes, buscando novas fontes e valorizando manuscritos e livros ilustrados com suas gravuras e desenhos.
Procurei,entre tantas obras ilustradas, algumas presentes nesta mostra, uma que estivesse mais próxima de seus admiradores.

Nesta busca, presto homenagem à obra “Goeldi” de Aníbal Machado, da Coleção Artistas Brasileiros, de que foram impressos nove mil e seiscentos exemplares, pela Imprensa Nacional em 1955.

Trazemos a público gravuras e desenhos ali constantes.

Há que observar e distinguir o Goeldi desenhista e o Goeldi gravador. Seus desenhos a lápis, a pena, a pincel ou a nanquim, aguada, e carvão, seriam talvez projetos prévios para os cortes e vincos na madeira?

Seus desenhos e suas gravuras compõem o romance gráfico. Muito embora Goeldi não tenha adotado um realismo direto, foi sempre fiel à arte figurativa, extraindo da paisagem a atmosfera dramática Cria assim cenários de sua intimidade, realizando uma síntese de arte e literatura, cujo tema é a condição humana.

Aqui descortinamos parte dos mundos de Goeldi, algumas formas entre entalhes, traços e linhas, juntando sua biografia analítica e sua obra sintética em caminho feito por tacos da madeira renascidos em suas mãos.

Lani Goeldi - Curadora (Texto para Catalogo da Exposição - Goeldi - O Encantador das Sombras - Correios -2010)



______________________________________________________________________________

Exposição Cálculo e Expressão - Fundação Iberê Camargo

Oswaldo Goeldi, Lasar Segall e Iberê Camargo 2009 - 2010

________________________________________________________________________

Goeldi na Caixa Cultural 2009 e 2010

Numa proposta de difundir a obra do artista Oswaldo Goeldi, Lani Goeldi, sobrinha do artista e curadora do Projeto Goeldi, firmou uma parceria com a Caixa Cultural que levará a obra de Goeldi para tres Estados brasieliros.


A Exposição denominada "Goeldi - luz noturna", será a maior exposição itinerante já vista por todo público admirador da obra do artista.

A primeira exposição aconteceu no Conjunto Nacional em São Paulo. e a exposição itinerará por quatro estados brasileiros.

- Goeldi - Luz Noturna - Caixa Cultural


Caixa Cultural São Paulo - 14/08 a 20/09/2009
Caixa Cultural Brasilia - 12/01/ a 21/02/2010
Caixa Cultural Curitiba - 09/03 a 14/04/2010
Caixa Cultural Salvador - 04/05/2010 a 05/07/2010


Curadoria: Lani Goeldi


GOELDI - LUZ NOTURNA.

Pela primeira vez apresento Oswaldo Goeldi numa exposição itinerante, comparando aos andarilhos de suas obras. E as exposições itinerantes têm papel fundamental o intercâmbio entre museus, galerias e outros espaços, aproximando pessoas e culturas.

Destacam-se como veículos de divulgação, dinamização e legitimação para uma ampla rede de organismos culturais existentes em nosso país, que uma vez movimentados fomentam a cultura e o turismo.

Considerei esse aspecto ao optar por produzir uma exposição que se tornasse algo próximo do público visitante, percorrendo algumas capitais brasileiras cuja obra de Goeldi, já esteve presente interligando seus órgãos de cultura como forma de experiência e de integração.

A notoriedade deste artista, ora simples, ora poeta, ora mestre ou aluno surge Goeldi na forma mais abrangente da difusão da gravura e desenhos que foram reproduzidos em revistas, jornais e livros.

Oswaldo Goeldi possuía muitos companheiros do meio intelectual e artístico, tais como: Di Cavalcanti, Mario de Andrade, Manuel Bandeira, Livio Abramo, Aníbal Machado, Portinari , Carlos Drummond de Andrade e muitos outros.

Convivera com eles de uma forma discreta, econômico nas palavras e gestos, uma figura ímpar e especial, isolada no cenário da arte brasileira, mas ícone na sua forma de produzir seu trabalho, apoiado em suas convicções pessoais e retratando em suas obras uma comovente coerência como uma missão inatingível a ser cumprida com rigor e firmeza.
Aqui, mostramos um pouco mais da vida e do cotidiano de Oswaldo Goeldi. Solitário como homem, mas com uma mente e coração capaz de propiciar a discussão da arte silenciosa.

A história de Goeldi, possui muitos protagonistas, que ao longo de suas vidas deixaram registrados muitas fagulhas de suas passagens. Mas, o que nos envolve numa busca constante de entender seu ímpeto em produzir incansavelmente, é observar os contrates do lirismo de sua obra dramática, o dia, a noite, a vida, a morte e a luz noturna.

Seus sentimentos calados, poucos guardam em suas memórias, e ao ler, suas cartas, interpretar suas obras e conviver com seus irmãos, é onde pretendo resgatá-los, através de uma reflexão interiorizada de sua arte mais intimista transformando esta exposição num mosaico entre o homem e o mágico.

Assim, aqui atuo como uma viajante no tempo, transcendendo a morte e criando um elo entre a gravura e seu maior mestre iluminado apenas por uma pequena luz noturna.

Lani Goeldi - Curadora (Texto para Catalogo da Exposição - Goeldi - Luz Noturna - Caixa Cultural)

___________________________________________________________________________________________________


Caixa Cultural Brasilia - 12/01/ a 21/02/2010

Caixa Cultural Curitiba - 09/03 a 14/04/2010

________________________________________________________________________________________

Lançamento Centro Virtual Goeldi Fase II - Academia Brasileira de Letras -RJ

02/04/2009 a 28/04/2009

Fotos do evento

________________________________________________________________________

 

Exposição:

Oswaldo Goeldi na Coleção de André Buck

De 23/08/07 a 10/11/07

Curadoria: Lani Goeldi

Local » ESTÚDIO BUCK : R. Lopes Amaral, 123, Vila Olímpia, São Paulo-SP
Seg. a sex., 10h/19h; sáb., 10h/14h.

Clique aqui e veja os videos

Entrada Estudio Buck André Buckentrevistado pela TV Cultura Panorâmica de uma das Salas de Exposição
Acêrvo Bibliográfico Obras Expostas Uma das Salas de Exposição
Obras a serem comercializadas Lani Goeldi, José Mindlin e filha Lani Goeldi e José Mindlin
Adriana, apresentando  produto comemorativo ao Projeto Goeldi Relógio Goeldi - Primeiro prodito licenciado pelo Projeto Goeldi, lançado na exposição . Primeiro Produto Licenciado do Projeto Goeldi
Revista Veja
Lani Goeldi em entrevista a TV Cultura.

______________________________________________________________________________

Exposição:

Goeldi na BM&F - Arte em Branco e Preto

Curadoria : Lani Goeldi e Ricardo Barradas

Período: 28-02 a 05-04-2007
Local: Espaço Cultural - BM&F (Bolsa de Mercadorias e Negócios Futuros) - S.P.
Pça. Antonio Prado, 48 - Centro-SP

Notícia

 

________________________________________________________________________________________________

CONSEQÜÊNCIAS DOS SONHOS DE GOELDI

Terei sempre muita coisa a dizer e sonho ainda introduzir inovações que tenho na cabeça e não consigo realizar.
Oswaldo Goeldi

Incompreendido por tantos, adorado por muitos e confidente de poucos, Oswaldo Goeldi nasceu e morreu no Rio de Janeiro, muito embora sua lembrança constante tenha sido o convívio familiar em Belém do Pará, onde viveu sua infância e absorveu a natureza ao redor, o que mais tarde retrataria em suas obras.

Filho de Emilio Goeldi, cientista com reconhecimento mundial, Oswaldo e seus seis irmãos eram cúmplices de brincadeiras e travessuras nos jardins do Museu Paraense dirigido por seu pai.

Porém, anos mais tarde, cansado de convenções e da falsa nobreza cativada pelo nome que carregava, Goeldi somente partilhava poucas cartas e confidências com seu irmão Edgar.

Oswaldo Goeldi era um homem simples. Embora de vasta cultura herdada dos pais e freqüentador das melhores escolas do Exterior, gostava de se aproximar daqueles pobres excluídos da sociedade: bêbados, vagabundos, cães, velhos, prostitutas e pescadores – um vasto material para sua arte.

Podia-se sentir o apego à alma de seus personagens, muitos deles sem títulos e com expressões disformes. Goeldi se sentia parte deles, pois sua juventude foi marcada por falsos amigos, traições, rejeições familiares e mágoas que jamais esqueceu.

Com a sensibilidade aflorada de uma alma de artista, Oswaldo Goeldi não suportou a guerra; os aspectos melancólicos daquele posto na fronteira entre a Suíça e a Áustria faziam com que sua mente viajasse até sua casa e sua meninice.

Quando encontrou o seu meio de expressão, Goeldi trabalhou com incansável afinco participando de exposições e bienais.
Goeldi amava o que fazia mais do que tudo, não se casou e não teve filhos, mas cultivava suas obras como suas crias.

Amava os animais, gostava de ficar por horas sentado no cais, dormia na praia muitas vezes, mas também era amigo de muitos intelectuais como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado, Raquel de Queiroz e Ferreira Gullar.

Tornou-se, segundo ele, um boêmio, mas jamais abandonava seus blocos de anotações, cujas páginas ia enchendo de croquis rápidos, de traços firmes, nervosos e incisivos, com os quais surpreendia e fixava aspectos de ruas, cenas de mercado, bichos e homens de guarda-chuvas.

Trabalhando como ilustrador e professor, suas gravuras e desenhos passaram a ter valor contextual no meio artístico. A descoberta da gravura não implicou, para o artista, o abandono do desenho, mas, com exercício dessa técnica, Goeldi caminhou para um estilo próprio.

As palavras de elogio ao seu trabalho pelo artista gráfico Alfred Kubin o fizeram esquecer um pouco a melancolia e entregar-se inteiramente ao trabalho na xilogravura. Dali por diante, ele dominaria a técnica cada vez mais e sua obra seria sua dócil confidente.

Um pequeno quarto, com uma luz forte incidindo sobre a mesa de trabalho e silhuetando por entre a folhagem seu perfil nervoso, varando as noites, só, empolgado pelo afã febril de desenvolver e criar, a sulcos de goivas ou de formões, na superfície lisa da madeira: assim, operava-se a perfeita comunhão entre Goeldi e a xilogravura. Para Oswaldo aquele cantinho era o refúgio ideal, pois ninguém o perturbava e nem viria distraí-lo da solitude criadora.

Viveu no bairro do Leblon perto de 35 anos e a morte não o surpreendeu, faleceu tranqüilo, só, com a mão em seu peito, como num sono sem fim.

Anos mais tarde, deparando-me com meu espírito aventureiro e a veia artística correndo em minha alma, começo este trabalho de resgate do homem Goeldi. Procuro buscar na memória, como fiz com meu avô, escutar suas histórias.

Minha mente viaja como se eu estivesse fazendo isso a cada momento e consegue chegar cada vez mais perto de seu carisma, de sua obra, compreendendo seus instintos.

Agora, pela primeira vez, estamos realmente próximos. Ele – magistral, com seu incansável trabalho reunido nesta exposição, a maior já exposta ao público – e eu, já não mais mera espectadora, e sobrinha do artista, mas mentora desse sonho, vinculado à arte e ao reconhecimento de suas obras.

Oswaldo Goeldi, a quem represento em vida, viverá para sempre em sua obra, mas, acima de tudo, perpetuará sua memória nos nossos corações, pois somos parte daquilo que ele mais amava, “sua família”.

A Associação Artística Cultural Oswaldo Goeldi, o Instituto Oswaldo Goeldi e o Projeto Goeldi são apenas conseqüências dos sonhos de Goeldi.

Lani Goeldi
Curadora ( Texto para o catalogo da Exposição : Oswaldo Goeldi - Arte em Branco e Preto - BM&F -SP)

__________________________________________________________________________________________________

Comentários:

" Goeldi na BM&F: Arte em preto e branco. A obra de Oswaldo Goeldi merece ser vista (aliás, se estiver em São Paulo, corra, pois a exposição termina nessa quinta, 5 de abril), porém o que mais me chamou a atenção foi a capacidade de fazer uma exposição agradável de ser vista, informativa, em um espaço relativamente pequeno e sem um material que impressione pela quantidade. Tudo bem que a Bolsa de Mercadorias e Futuros não precisa se preocupar com economia, mas parece-me que bom gosto e respeito ao artista deram o tom do sucesso dessa mostra..." Sandro Fortunato.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

" Se há, dentre os movimentos de vanguarda do começo do século 20, um que expressou a reação do indivíduo em face da sociedade moderna, já então marcada pelos primeiros sinais da massificação, este movimento foi o Expressionismo, de que a mais legítima expressão, no Brasil, foi Oswaldo Goeldi.

Escrevo, agora, sobre esse mestre da gravura, a propósito do livro Oswaldo Goeldi na Coleção Hermann Kümmerly, recentemente lançado no Rio de Janeiro. O livro contém a reprodução de 150 desenhos e gravuras doados pelo artista, em 1930, a seu amigo de juventude Hermann Kürmerley, trabalhos esses que nos revelam os primeiros passos daquele que se tornaria o fundador da moderna gravura brasileira e o autor de uma obra gráfica que o situa entre os mais importantes gravadores contemporâneos. Uma parte das obras de Goeldi jovem pertence hoje a Raul Schmidt Phillipe, responsável pela publicação da mencionada obra. Devo assinalar a qualidade desses trabalhos de juventude que, sem plenitude da fase madura, já trazem a força expressiva do futuro mestre.
Conheci Oswaldo Goeldi nos anos 50, logo depois que me mudei para o Rio de Janeiro. Àquela altura, a gravura também sofria a influência de artista estrangeiros, americanos e europeus voltados para a renovação técnica e temática. Ele, convicto de sua concepção expressionista, fiel à valorização dos meios genuínos da gravar, sorria irônico:
– Isso não é gravura, é estampagem.

Goeldi se referia a um tipo de gravura – particularmente a que então fazia Fayga Ostrower –, usando grandes placas de madeira e impressa em cores. É que, para Goeldi, o uso da cor na gravura havia sido uma conquista difícil e lhe custara anos de trabalho e apuro.
– A cor na xilogravura – dizia ele – deve ter um caráter próprio, diferente da cor na pintura ou na estampagem. A cor na gravura tem que ser “gravada”.
E, de fato, quando se observam as gravuras dele em que aparece a cor, esta possui um caráter especial que lhe empresta expressão própria. Basta lembrar a célebre xilo Guarda-Chuva Vermelho, na qual a cor vermelha do guarda-chuva, ao mesmo tempo em que fulge como um relâmpago na composição de formas negras, integra-se na linguagem xilográfica do mesmo modo que as demais formas: a cor não está apenas impressa, mas efetivamente “gravada”.

Ao afirmar que Goeldi era um legítimo expressionista, refiro-me precisamente tanto a essa entrega passional à expressividade intensa da obra criada, como também à exigência ética do trabalho artístico: a placa de madeira mal-lixada, o uso da palma da mão para calcar o papel sobre a chapa entintada. Enfim, a rejeição a todo e qualquer recurso técnico sofisticado que o afastasse da relação direta do artesão com sua linguagem genuína.
Goeldi muito cedo tomou conhecimento das obras do expressionismo alemão, a que aderiu com entusiasmo, ao visitar uma exposição do grupo Der Blaue Reiter. O expressionismo, nascido de uma atitude de certo modo romântica em face da arte e da vida, rejeitava a civilização industrial e a ela opunha o retorno às fontes primitivas da cultura humana, em que se inclui a arte. A valorização do artesanato como meio de criação artística expressa também a contestação às novas técnicas industriais, que eram vistas pelos expressionistas como uma ameaça à verdadeira criação estética.

Por isso mesmo, os artistas em que se inspiraram foram principalmente Vicent van Gogh e Paul Gauguin, o primeiro por lhes indicar a ruptura com a visão objetiva do real, e o segundo por ter feito de sua própria vida um exemplo de rejeição à civilização européia moderna, ao transferir-se para a Polinésia, onde viveu o resto de sua vida. Sem fazer uma opção tão radical, os primeiros expressionistas alemães trocaram a cidade pela floresta, passando a viver e trabalhar às margens do lago Moritzburg.
Nosso Goeldi entendeu a opção expressionista como uma busca da própria individualidade, do que há de mais autêntico no mais fundo de cada um de nós. A expressão dessa autenticidade seria o próprio objetivo do trabalho artístico. Por isso mesmo, não tinha sentido para ele, adotar, seja técnica seja tematicamente, os procedimentos de outros artistas, mesmo aqueles que ele mais admirava, como Gauguin e Munch, em cujas obras e postura estética se inspirou.

Coerente com tal ponto de vista, não percebia nas vanguardas artísticas mais do que um experimentalismo inconseqüente, que nada tinha a ver com o que considerava a verdadeira arte. Referia-se ironicamente ao jargão da época, quando os artistas falavam de suas “experiências”, afirmando que eles passavam a vida experimentando sem realizar efetivamente a obra.
– Eles próprios dizem que suas obras são “experiências”, e passam a vida inteira “experimentando”, sem nunca chegarem a realizar a obra propriamente dita. Arte não é experimento, é realização – afirmava ele.
Independentemente dessa atitude contrária ao espírito experimentalista que caracteriza a arte contemporânea, Oswaldo Goeldi foi um inovador, mas inovador que se preocupava em dar densidade e humanidade à sua obra de gravador. Outro aspecto a ressaltar na personalidade deste grande artista é a coerência que identifica a exigência estética do artista com o comportamento ético do homem – o homem que ele foi, modesto, íntegro e afetuoso. "
Ferreira Gullar

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

"Goeldi, é uma maravilha. Uma gravura densa, silenciosa, do jeito que ele era... Uma figura densa, soturna e silenciosa, fazendo gravuras de grande impacto. Tem o Livio Abramo, que é o contrário, quer dizer, é o homem da luz. Ele trabalhava a madeira extraindo da gama do preto ou branco luminosidades incríveis. Tem uma série sobre o Rio de Janeiro que é uma festa luminosa, de uma qualidade técnica irrepreensível." Renina Katz

voltar
Direitos Reservados -Projeto Goeldi