| Gravador,
desenhista, ilustrador e professor. Nasceu na cidade do Rio
de Janeiro, filho do cientista Emilio Augusto Goeldi e de
Adelina Meyer Goeldi, viveu dos 6 aos 24 anos na Suíça,
onde, no período da 1ª. Guerra Mundial, abandonou
o curso na Escola Politécnica para se matricular na
École des Art et Métiers.
Decepcionado com a escola, passou a ter aulas com Serge Pahnke
e Henri van Muyden. No mesmo ano, 1917, realizou sua primeira
exposição individual em Berna / Suiça,
quando conheceu a obra do austríaco Alfred Kubin, seu
mentor artístico.
Na mesma época tornou-se amigo de Hermann Kümmerly,
com quem fez suas primeiras litografias. De volta ao Brasil,
em 1919, executou trabalhos de ilustrador. Dois anos depois,
ao expor no saguão do Liceu de Artes e Ofícios,
aproximou-se de pessoas interessadas na renovação
da arte. A partir de 1923, dedicou-se intensamente à
xilogravura, que conheceu com Ricardo Bandi.
Fez trabalhos para revistas, livros e periódicos. Em
1930 lançou o álbum "Dez Gravuras em Madeira",
prefaciado por Manuel Bandeira, cuja venda permitiu seu retorno
à Europa, onde expôs em Berna e em Berlim. Por
volta de 1832 retornou ao Brasil e começou a experimentar
o uso da cor em xilogravuras. Consolidado como ilustrador,
expôs na 25ª. Bienal de Veneza em 1950 . Ganhou
o Prêmio de Gravura da 1ª. Bienal Internacional
de São Paulo em 1951.
Cinco anos depois, no MAM-SP, foi realizada sua primeira retrospectiva.
Sua carreira como professor começou em 1952 e, após
três anos, passou a ensinar xilogravura na Escola Nacional
de Belas Artes. Sua obra já participou de mais de uma
centena de exposições póstumas no Brasil,
Argentina, França, Portugal, Suíça e
Espanha. Hoje Oswaldo Goeldi é mundialmente venerado
no meio artistico e suas obras são materias de referência
no campo da gravura.
Cronologia :
31/10/1895
- Nascimento de Oswaldo Goeldi no Rio de Janeiro;
1896 - Segue para Belém do Pará;
1901 - Vai para a Suíça;
1915 - Oswaldo ingressa na Politécnica de Zurique
e começa a desenhar;
1917 - Oswaldo abandona a Politécnica e entra para
Ëcole des Arts et Metiers"em Genebra;
1919 - Regressa ao Brasil;
1921 - Exposição de Oswaldo Goeldi no Liceu
de Artes e Oficios no Rio de Janeiro;
1924 - Oswaldo Goeldi faz ilustrações
para Ö Malho"e "Para Todos" - e inicia
seus estudos da gravura com Ricardo Bampi;
1926 - Oswaldo Goeldi envia alguns de seus trabalhos para
Alfred Kubin. E o mesmo aconselha-o a expor na Europa;
1928 - Oswaldo Goeldi faz ilustrações para
"Canaan"de Graça Aranha;
1929 - Oswaldo Goeldi faz ilustrações para
"O Manque"de Benjamim Costallat;
1930 - Oswaldo Goeldi faz um album com 10 gravuras prefaciadas
por Manuel Bandeira, viaja para a Europa e expõe na
Galeria Kunst-Klipstein em berna e na Galeria Werthein em
Berlim;
1930/1931 - Oswaldo Goeldi Viaja para Zurique, Berna e
Berlim onde participa de exposições ao lado
de Matisse, Utrillo, Waroquier e Leo Long. Ezpõe também
no Atelier de Kummerly, Mury, Suiça;
1937 - Oswaldo Goeldi ilustra o livro Cobra Monato"de
Raul Bopp, e inicia com a cor na gravura;
1938 - Oswaldo Goeldi expõe em Beldam-PA, Salvador-BA,
e Rio de Janeiro, organizada por Di Cavalcanti, Anibal Machado
e Santa Rosa;
1941 - Oswaldo Goeldi ilustra o Suplemento Literário
Autores & Livros - publicação do Jornal
da Manhã, ilustração para os"Humilhados
e Ofendidos"de Dostoievski"e uma série de
desenhos sobre a Guerra"As luzes se Apagam agitam-se
os monstros;
1943 - Oswaldo Goeldi ilustra para "Ressurreição
da Casa dos Mortos"de Dostoievski e "Carlinhos"de
Villegas Lopes;
1944 - Oswaldo Goeldi faz uma série de gravuras
com o titulo "Balada da Morte"Revista Clima -SP,
e Ilutrsção para "O Idiota"de Dostoievski,
participa dea exposição de Arte Moderna pela
Prefeitura de Belo Horizonte, exposição individual
no Institurto de Arquitetos do Brasil;
1945 - Oswaldo Goeldi faz ilustração para
"Martin Cerere"de Cassiano Ricardo e ilustração
para "Letras e Artes" suplemento dominical "
Ä Manhã";
1949 - Oswaldo Goeldi faz ilustração para
"Cheiro de Terra" de Caio de Mello Franco;
1950 - Oswaldo Goeldi participa da representação
brasileira na Bienal em Veneza, Salão de Belas Artes
na Bahia e Mostra de Arte Brasileira em Roma;
1951 - Oswaldo Goeldi participa da 1a. Bienal de S. Paulo-
1. Premio da Gravura Nacional, exposição na
galeria Domus- SP;
1952 - Oswaldo Goeldi começa a ensinar na escolinha
de Arte de Augusto Rodriges-RJ, exposição na
Galeria Tenreiro, RJ;
1953 - Oswaldo Goeldi participa da 2a. Bienal de S. Paulo,
vai para Montevideu a convite do Instituto Uruguaio Brasileiro
e realiza curso sobre gravura. Ilustra também para
"Memórias o sub-solo"de Dostoievski, realiza
curso sobre gravura;
1954 - Oswaldo Goeldi expõe em Runstmuseum em Berna
e na Galeria Oxumaré na Bahia;
1955 - Oswaldo Goeldi começa a lecionar na escola
Nacional de Belas Artes, publica o album "Goeldi"com
apresentação de Anibal Machado, partcipa da
3a. Bienal e recebe homenagem do grupo de Estudos Mario de
Andrade -Pen Club do Brasil;
1956 - Oswaldo Goeldi participa da III Internacional Austellung
von Holzschwitter- Zurique, participa de exposição
no Museu de Arte Moderna -SP, e da retrospectiva no Museu
de Arte Moderna no Rio de Janeiro;
1957 - Oswaldo Goeldi participa de exposição
promovida pelo Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro;
1958 - Oswaldo Goeldi participa de exposições
em Veneza, Buenos Aires e na Galeria GEA no Rio de Janeiro;
1959 - Oswaldo Goeldi ilustra "Lições
de Abismo"de Gustavo Corsão, participa de exposições
em galerias do Rio e SP;
1960 - Oswaldo Goeldi ilustra "Mar Morto"de
Jorge Amado , ganha o primeiro premio internacional de gravura
da II Bienal Americana do México e e expõe na
Galeria Bonino no RJ;
16/02/1961 - Morre Oswaldo Goeldi no Rio de Janeiro;
FORMAÇÃO:
1914 - Zurique (Suíça) - Ingressa
na Escola Politécnica
1917
- Genebra (Suíça) - Com a morte do pai, abandona
a Escola Politécnica e matricula-se na École
des Arts et Métiers. Conhece a obra do desenhista austríaco
Alfred Kubin, com o qual mantém correspondência
de 1926 a 1952. Freqüenta os ateliês de Serge Pahnke
e Henri Van Muyden
1934
- Niterói RJ - No ateliê de Ricardo Bampi, artista
brasileiro educado na Alemanha, aprende técnicas da
xilogravura
VIAGENS:
1922 - Europa - Retorna, a pedido da poetisa
Beatrix Reynal e de um grupo de intelectuais
1930 - Berna (Suíça) - Viaja
com o dinheiro obtido na venda do álbum 10 Gravuras
em Madeira de Oswaldo Goeldi
1931
- Arles (França) e Muri (Suíça) - Visita
o sul da França e a região de Arles. Deixa matrizes
e desenhos com Hermann Kümmerly em Muri
1941 - Bahia - Viaja para se resguardar da
perseguição às pessoas com ascendência
germânica, por ocasião da II Guerra Mundial
1953
- Montevidéu (Uruguai) - Viaja a convite do Instituto
Uruguaio-Brasileiro
ATIVIDADES EM ARTES:
Gravador,
desenhista, ilustrador, professor
1917 - Berna (Suíça) - Torna-se
amigo do artista suíço Hermann Kümmerly
e faz litografias no seu ateliê
1919 - Rio de Janeiro RJ - Inicia trabalho
como ilustrador na revista Para Todos, de Álvaro Moreyra
1922
- Rio de Janeiro RJ - Instala-se em ateliê preparado
pela poetisa Beatrix Reynala
1924
- Rio de Janeiro RJ - Ilustra o periódico O Malho,
de Álvaro Moreyra
1928 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra Canaã,
de Graça Aranha, que não chega a ser publicado
1929 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra O Mangue,
de Benjamin Costallot, que não chega a ser publicado
1930 - Rio de Janeiro RJ - Publica, por intermédio
das Oficinas Gráficas de Paulo Pongetti & Cia.,
o álbum Dez Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi,
prefaciado por Manuel Bandeira
1932
- Envia a Kümmerly o resultado da sua primeira experiência
cromática, a gravura Baianas, impressa em amarelo e
vermelho
1937 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra Cobra
Norato, de Raul Bopp, com xilogravuras coloridas, em edição
semi-artesanal, com tiragem de 150 exemplares
1937 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra o álbum André
de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado, poema
de Cassiano Ricardo
1941
- Rio de Janeiro RJ - Começa a trabalhar na ilustração
das Obras Completas de Dostoievski, publicadas pela Editora
José Olympio
1941 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra o suplemento
dominical do jornal A Manhã, no caderno Autores e Livros
1941 - Rio de Janeiro RJ - Realiza a série
de desenhos sobre a guerra As Luzes Se Apagam, Agitam-se os
Monstros
1941
- Rio de Janeiro RJ - É publicado, com ilustrações
suas, o romance de Dostoievski Humilhados e Ofendidos, pela
Livraria José Olympio Editora
1942
- Rio de Janeiro RJ - Ilustra o livro Aux Rives de Notre Ocean,
de Jacques Perroy Cuers, ao lado de Henrique Cavalheiro e
J.C. Chabloz, entre outros, editado pela Livraria Geral Franco-Brasileira
1944 - São Paulo SP - A revista Clima
publica a série de xilogravuras Balada da Morte
1944
- Rio de Janeiro RJ - Faz ilustrações para Memórias
do Subsolo, incluído na primeira edição
do volume O Eterno Marido, de Dostoievski, publicação
da Editora José Olympio, e para o livro Fascinação
da Amazônia, de Ester Leão da Cunha, da Editora
Irmãos Pongetti & Cia.
1944
- Rio de Janeiro RJ - Grava as imagens de Carlitos, a Vida,
a Obra e a Arte do Gênio do Cine, de Manuel Villegas
Lopes, publicado pela Editora Leitura
1945
- Rio de Janeiro RJ - Ilustra o romance Recordações
da Casa dos Mortos, de Dostoievski, e Martim Cererê,
o Brasil dos Meninos, dos Poetas e dos Heróis, de Cassiano
Ricardo, em edição da Empresa A Noite
1945 - Rio de Janeiro RJ - Realiza ilustração
para Letras e Artes,no suplemento dominical A Manhã
1946
- Rio de Janeiro RJ - Ilustra Frô-de-Pena, versos caipiras
de Jacy G. Ricardo, em edição da Empresa A Noite
1949
- Rio de Janeiro RJ - Ilustra Cheiro da Terra, de Caio de
Mello Franco, publicado pela Editora Gráfica das Artes,
e O Idiota, de Dostoiesvki, com desenhos a bico-de-pena
1950
- Rio de Janeiro - Faz ilustrações para o livro
O Homem de Duas Cabeças, de Oswaldo de Almeida Fischer,
da Edições Oásis, e para Cogumelos -
Contos, de Breno Acióli, da Empresa A Noite
1951
- Rio de Janeiro RJ - Passa a ser membro do júri do
Salão Nacional de Belas Artes, na categoria de desenho
e artes gráficas
1951 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra com xilogravuras
o livro Minha Primeira Comunhão, de Maria Pacheco Chaves,
Editora Agir
1952 / 1953 - Rio de Janeiro RJ - Leciona
xilogravura na Escolinha de Arte do Brasil
1955 - Rio de Janeiro RJ - Torna-se professor
da Enba, onde abre oficina de xilogravura
1951
/ 1955 - Rio de Janeiro RJ - É membro do júri
do Salão Nacional de Belas Artes, Divisão Moderna,
nas categorias desenho e artes gráficas
1959 - Rio de Janeiro RJ - Grava as ilustrações
de Lições do Abismo, de Gustavo Corção,
para a Livraria Agir
1960
- Rio de Janeiro RJ - Ilustra o livro Mar Morto, de Jorge
Amado, editado em 1967 pela Martins Fontes
1960 - Rio de Janeiro RJ - Convidado pelo
Clube dos Cem Bibliófilos, inicia a gravação
das ilustrações para Poranduba Amazonenses,
texto de Barbosa Rodrigues. O trabalho é finalizado
por Darel Valença Lins
EXPOSIÇÕES
INDIVIDUAIS:
1917 - Berna (Suíça) - Individual,
na Galeria Wyss
1921
- Rio de Janeiro RJ - Individual, no Liceu de Artes e Ofícios
1930
- Berna (Suíça) - Individual, na Galeria Gutekunst
& Klipstein
1938
- Belém PA - Individual, na Biblioteca do Arquivo Público
1951
- São Paulo SP - Individual, na Galeria Domus
1952
- Paris (França) - Individual, na Association Artistique
et Litteraire
1952
- Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Langenbach &
Tenreiro
1952
- Santiago (Chile) - Individual, no Museo de Arte Moderno
1954
- Salvador BA - Individual, na Galeria Oxumaré
1956
- São Paulo SP - Individual, no MAM / SP
1956
- Rio de Janeiro RJ - Goeldi: retrospectiva, no MAM / RJ
1958
- Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria G.E.A.
1959
- São Paulo SP - Individual, na Galeria Langebach &
Tenreiro
1959
- Rio de Janeiro RJ - Individual, na Piccola Galeria - Instituto
Italiano de Cultura
EXPOSIÇÕES COLETIVAS:
1930 - Berlim (Alemanha) - Coletiva, na Galeria
Werthein
1930
- Muri (Suíça) - Coletiva, no ateliê de
Hermann Kümmerly
1933
- Rio de Janeiro RJ - 3º Salão da Pró-Arte,
na Enba
1935
- Rio de Janeiro RJ - Exposição de Arte Social,
no Clube de Cultura Moderna do Rio de Janeiro
1938
- Rio de Janeiro RJ - Coletiva organizada por Di Cavalcanti,
Aníbal Machado e Santa Rosa
1944
- Londres e Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian
Paintings, na Royal Academy of Arts e no Castle Museum
1944
- Belo Horizonte MG - Exposição de
Arte Moderna, no MAP
1945
- Edimburgo e Glasgow (Escócia) e Baht, Bristol e Manchester
(Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na
National Gallery of Scotland, Kelingrove Art Gallery, Victory
Art Gallery, Bristol Museum Art Gallery e Manchester Art Gallery
1950
- Veneza (Itália) - 25ª Bienal de Veneza
1950
- Salvador BA - 2º Salão de Belas Artes
da Bahia - medalha de ouro
1950
- Roma (Itália) - Arte Moderna Brasileira, na Galleria
D'Arte della Casa Del Brasil
1950
- Tchecoslováquia (atual República Tcheca) -
Bienal de Gravura
1950
- Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, organizada pela International
Business Corporation
1951
- São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São
Paulo, no MAM / SP - primeiro prêmio gravura nacional
1952
- Veneza (Itália) - 26ª Bienal de Veneza
1952
- Tóquio (Japão) - Bienal de Xilogravura
1952
- Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas
Brasileiros, no MAM / RJ
1953
- São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional
de São Paulo, no MAM / SP
1953
- Montevidéu (Uruguai) - Coletiva, no Instituto de
Cultura Uruguaio-Brasileiro
1954
- Zurique (Suíça) - Arte Brasileira, Arquitetura
Brasileira Moderna e Novos Gráficos Brasileiros, no
Kunstgewerbemuseum
1954
- São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição
do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no
MAM / SP
1954
- Berna (Suíça) - Graveurs Brésiliens,
no Museu de Belas Artes
1954
- Rio de Janeiro RJ - Salão Preto e Branco, no Palácio
da Cultura
1955
- São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São
Paulo, no MAM / SP - artista convidado
1956
- Veneza (Itália) - 28ª Bienal de Veneza
1957
- Buenos Aires e Rosário (Argentina), Lima (Peru) e
Santiago (Chile) - Arte Moderno en Brasil, no Museo Nacional
de Bellas Artes, no Museo Municipal de Bellas Artes Juan B.
Castagnino, no Museo de Arte e no Museo de Arte Contemporáneo
1957
- Montevidéu (Uruguai) - Grabado Brasileño,
no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro
1958
- Veneza (Itália) - 29ª Bienal de Veneza
1958
- Lugano (Itália)- 5ª Exposizione Internazionale
de Bianco e Nero
1959
- Rio de Janeiro RJ - 30 Anos de Arte Brasileira, na Enba
1959
- Munique (Alemanha) - Arte Moderna Brasileira na Europa,
na Casa do Artista
1959
- Viena (Suíça) - Gravura do Brasil, no Museu
Albertina
1960
- Cidade do México (México) - 2ª Bienal
Interamericana do México, no Palácio de Belas
Artes - 1º prêmio internacional de gravura
1960
- São Paulo SP - Coleção Leirner,
na Galeria de Arte da Folha
1960
- Rio de Janeiro RJ - Goeldi e Grassmann, na Galeria Bonino
EVENTOS
ITAÚ CULTURAL:
2000
- São Paulo SP - Investigações. A Gravura
Brasileira, no Itaú Cultural
2000
- São Paulo SP - Vídeo Gravura e Gravadores,
documentário dirigido por Olívio Tavares de
Araújo, com depoimentos do artista e outros gravadores;
produção Itaú Cultural
2001
- Penápolis SP e Brasília DF - Investigações.
A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural
2001
- São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira,
no Itaú Cultural
HOMENAGENS
/ TÍTULOS / PRÊMIOS:
1920
/ 1921 - A primeira individual, no Liceu de Artes
e Ofícios, é elogiada pelos escritores Álvaro
Moreyra, Manuel Bandeira, Aníbal Machado, Ronald de
Carvalho, Rachel de Queiroz, Olegário Mariano, Otto
Maria Carpeaux e pelo pintor Di Cavalcanti
1955
- Rio de Janeiro RJ - O MEC edita o álbum Goeldi, prefaciado
por Aníbal Machado
1955
- É homenageado por intelectuais e artistas, por iniciativa
de Mário Barata, do Grupo de Estudos Mário de
Andrade e pelo Pen Clube do Brasil, por sua contribuição
à gravura brasileira
1967
- Carlos Frederico produz o curta-metragem Noturno de Goeldi,
com direção e roteiro de sua autoria e texto
deCarlos Drummond de Andrade
1996
- São Paulo SP - Nuno Ramos realiza a exposição
individual Para Goeldi, no A5 Studio
EVENTOS
PÓSTUMOS:
1961
- São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São
Paulo, no MAM / SP
1961
- Rio de Janeiro RJ - 1º O Rosto e a Obra, na
Galeria Ibeu Copacabana
1962
- São Paulo SP - Marcelo Grassmann, Eduardo Sued, Oswaldo
Goeldi e Darel, na Galeria Residência
1962
- Buenos Aires (Argentina) - Individual, no Museo Nacional
de Bellas Artes
1966
- Rio de Janeiro RJ - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana
1966
- Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1969
- São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São
Paulo, na Fundação Bienal
1971
- São Paulo SP - 11ª Bienal Internacional de São
Paulo, na Fundação Bienal
1972
- São Paulo SP - A Semana de 22: antecedentes e conseqüências,
no Masp
1974
- Rio de Janeiro RJ - Goeldi-Grassmann-Messias, na Bolsa de
Arte
1975
- São Paulo SP - O Modernismo de 1917 a 1930, no Museu
Lasar Segall
1976
- São Paulo SP - Os Salões: da Família
Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas
Plásticos de São Paulo, no Museu Lasar Segall
1978
- Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Artes
Plásticas - Três Mestres da Gravura do Brasil,
no Palácio da Cultura
1979
- São Paulo SP - 15ª Bienal Internacional
de São Paulo, na Fundação Bienal
1980
- Rio de Janeiro RJ - Homenagem a Mário Pedrosa, na
Galeria Jean Boghici
1982
- São Paulo SP - Do Modernismo à Bienal, no
MAM / SP
1982
- São Paulo SP - Seis Gravadores Expressionistas do
Brasil: Segall, Goeldi, Abramo, Renina, Poty, Grassmann, no
Museu Lasar Segall
1983
- Olinda PE - 2ª Exposição da Coleção
Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas, no MAC / PE
1983
- São Paulo SP - Oswaldo Goeldi, na Grifo Galeria de
Arte
1984
- Curitiba PR - 6ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba,
na Fundação Cultural
1984
- Rio de Janeiro RJ - A Xilogravura na História da
Arte Brasileira, na Fundação Nacional de Arte.
Centro de Artes
1984
- São Paulo SP - Coleção Gilberto Chateaubriand:
retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM / SP
1984
- Ribeirão Preto SP - Gravadores Brasileiros Anos 50
/ 60, na Galeria Campus - USP - Banespa
1984
- Porto Alegre RS - Gravuras: uma trajetória no tempo,
no Cambona Centro de Arte
1984
- São Paulo SP - Tradição e Ruptura:
síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação
Bienal
1985
- São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São
Paulo, na Fundação Bienal
1985
- Porto Alegre RS - Iberê Camargo: trajetória
e encontros, no Margs
1985
- Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes
Plásticas, no MAM / RJ
1986
- Brasília DF, São Paulo SP e Rio de Janeiro
RJ - Iberê Camargo: trajetória e encontros, no
Teatro Nacional, no Masp e no MAM / RJ
1987
- São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São
Paulo - Imaginários Singulares, na Fundação
Bienal
1987
- São Paulo SP - As Bienais no Acervo do MAC: 1951
a 1985, no MAC / USP
1987
- Rio de Janeiro RJ - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto
Chateaubriand, no MAM / RJ
1987
- Paris (França) - Modernidade: arte brasileira do
século XX, no Musée d'Arte Moderne de la Ville
de Paris
1987
- São Paulo SP - 18º Panorama de Arte Atual Brasileira:
arte sobre papel, no MAM / SP
1987
- São Paulo SP - Modernidade: arte brasileira do século
XX, no MAM / SP
1988
- Curitiba PR - 8ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba,
na Fundação Cultural
1988
- São Paulo SP - Brasiliana: o homem e a terra, na
Pesp
1988
- Lisboa (Portugal) - Pioneiros e Discípulos, na Fundação
Calouste Gulbenkian. Centro Cultural Calouste Gulbenkian
1989
- Rio de Janeiro RJ - Gravura Brasileira: 4 temas, na EAV
/ Parque Lage
1990
- São Paulo SP - A Coleção de Arte do
Município de São Paulo, no Masp
1991
- São Paulo SP - A Mata, no MAC / USP
1991
- São Paulo SP - Homem e Natureza, no MAC / USP
1992
- Zurique (Suíça) - Brasilien: entdeckung und
selbstentdeckung, no Kunsthaus
1992
- Rio de Janeiro RJ - Gravura de Arte no Brasil: proposta
para um mapeamento, no CCBB
1993
- Rio de Janeiro RJ - Brasil 100 Anos de Arte Moderna, no
MNBA
1993
- Poços de Caldas MG - Coleção Mário
de Andrade: o modernismo em 50 obras sobre papel, na Casa
de Cultura de Poços de Caldas
1993
- São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção
Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi
1993
- João Pessoa PB - Xilogravura: do cordel à
galeria, na Funesc
1994
- São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na
Fundação Bienal
1994
- Poços de Caldas MG - Coleção Unibanco:
exposição comemorativa dos 70 anos do Unibanco,
na Casa de Cultura de Poços de Caldas
1994
- Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção
Gilberto Chateubriand, no MAM / RJ
1994
- São Paulo SP - Poética da Resistência:
aspectos da gravura brasileira, na Galeria de Arte do Sesi
1994
- Rio de Janeiro RJ - Trincheiras: arte e política
no Brasil, no MAM / RJ
1994
- São Paulo SP - Xilogravura: do cordel à galeria,
em estações do Metrô e no Masp
1995
-Rio de Janeiro RJ - Coleção Unibanco: exposição
comemorativa dos 70 anos do Unibanco, no MAM / RJ
1995
- São Paulo SP - Goeldi: nosso tempo, no MAB / Faap
1995
- São Paulo SP - Goeldi: seu tempo, no IEB / USP
1995
- Belo Horizonte MG - Imagem Derivada: um olhar acerca do
desdobramento da gravura hoje, no MAP
1995
- Rio de Janeiro RJ - Oswaldo Goeldi: um auto-retrato, no
CCBB
1996
- São Paulo SP - Ex Libris / Home Page, no Paço
das Artes
1996
- São Paulo SP - Oswaldo Goeldi Mestre Visionário,
na Galeria de Arte do Sesi
1998
- São Paulo SP - Impressões: a arte da gravura
brasileira, no Espaço Cultural Banespa
1998
- São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo
na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand
- MAM / RJ, no Masp
1998
- São Paulo SP - Os Colecionadores - Guita e José
Mindlin: matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi
1999
- Rio de Janeiro RJ - Goeldi: gravuras, matrizes e desenhos,
na Casa França - Brasil
1999
- Rio de Janeiro e Niterói RJ - Mostra Rio Gravura:
Oswaldo Goeldi, no Espaço Cultural dos Correios, Gravura
Moderna Brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes,
no MNBA, Literatura Brasileira e Gravura, na ABL, e Acervo
Banerj, no Museu do Ingá
1999
- São Paulo SP - Oswaldo Goeldi, na Galeria Thomas
Cohn
2000
- São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento.
Arte Moderna, na Fundação Bienal
2000
- Brasília DF - Exposição Brasil Europa:
encontros no século XX, no Conjunto Cultural da Caixa
2000
- Rio de Janeiro RJ e São Paulo SP - Matrizes do Expressionismo
Alemão no Brasil: Abramo, Goeldi e Segall, no Paço
Imperial e no MAM / SP
2000
- Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas
do Corpo, Dobras da Alma
2000
- São Paulo SP - O Papel da Arte, na Galeria de Arte
do Sesi
2000
- Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas
no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial
2000
- Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na
Fundação Calouste Gulbenkian. Centro Cultural
Calouste Gulbenkian
2000 - Lançamento da Obra "De
mãos dadas com o passado", em comemoração
aos 500 anos do Brasil - de autoria de Lani Goeldi, onde retrata
a saga da Familia Goeldi.
2000 - Exposição em Basel -
Suiça, em comemoração aos 500 anos do
Brasil.
2001
- Belém (Pará) - Inauguração do
Espaço Arte Goeldi, nas dependências do Museu
Paraense Emilio Goeldi - Parque Zoobotânico - com exposição
póstuma de obras do artista. Curadoria de Lani Goeldi.
2004 - Fundação da Associação
Artística Cultural Oswaldo Goeldi - www.oswaldogoeldi.com.br
2005
- Criação do Centro Virtual de Documentação
e Referência Oswaldo Goeldi - Curadoria Noemi Ribeiro.
2006 - Criação do Projeto Goeldi -
Instituto Oswaldo Goeldi - www.oswaldogoeldi.org.br
2007
- Exposição "Goeldi na BM&F - Arte
em Branco e Preto" - SP - Exposição póstuma
com maior acervo já expoxto para o públco -
mais de 100 obras - Curadoria Lani Goeldi
2007 - Exposição "Oswaldo
Goeldi na Coleção de André Buck"
- SP - Curadoria Lani Goeldi
2008
- Lançamento Livro Oswaldo Goeldi - Desenhos, Matrizes
e Gravuras - Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro
- RJ
2009
- Lançamento Biografia Emilio Goeldi - Museu Paraense
Emilio Goeldi - Belém -PA
2009
- Lançamento Centro Virtual Goeldi - Fase II -Academia
Brasielira de Letras - Rio de Janeiro - RJ
2009
- Exposição Caixa Cultural São Paulo
- Goeldi - Luz Noturna - São Paulo -SP - Curadoria
Lani Goeldi
2009
- Exposição Cálculo e Expressão
- Fundação Iberê Camargo - Porto
Alegre - RS
2010
- Exposição Caixa Cultural Brasilia - Goeldi
- Luz Noturna - Brasilia - DF- Curadoria Lani Goeldi
2010
- Exposição Caixa Cultural Curitiba - Goeldi
- Luz Noturna - Curitiba- PR- Curadoria Lani Goeldi
2010
- Exposição Correios - Goeldi - O Encantador
das Sombras - Rio de Janeiro - RJ - Curadoria Lani Goeldi
BIENAIS:
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 6ª (1961),
10ª (1969), 11ª (1971), 15ª (1979), 18ª
(1985), 19ª (1987) e 24ª Bienais (1998)
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Nas
imagens urbanas criadas por Oswaldo Goeldi há uma atmosfera
de solidão profunda. Figuras humanas se perdem em ruas,
becos e praças mal iluminadas de cidades indiferentes
à presença de cada um. Há também
em suas gravuras uma atmosfera dominada pelo escuro, só
rompido pela luz branca filtrada ou por pequenas superfícies
de cor. Em seu imaginário, pescadores, peixes e o mar
protagonizam cenas que denotam uma solidão profunda.
Suas xilogravuras são emblemáticas do conflito
do ser humano e uma das melhores tradições da
arte brasileira. Os trabalhos de Goeldi estiveram presentes
na Bienal de São Paulo, em quase todas as décadas
sendo um dos mais expostos, em toda a história da mostra
paulista.
TEXTOS
CRÍTICOS:
"A
experiência européia não lhe deixou terminar
a experiência brasileira. Talvez até a perturbasse.
Ambas entraram porém na composição de
sua arte, dando universalidade humana e pungente.
Seu
olhar para as coisas vai carregado de tão intensa força
subjetiva que logo as transforma em visão. Visão
quase sempre trágica. A imagem cotidiana mais comum
- uma esquina de rua, um objeto, alguém passando -
Goeldi a transforma em misteriosa presença. O que descobre
em cada coisa é a sua substância de poesia, velada
pelo automatismo de nossa percepção habitual.
Não dispondo de tintas para a expressão pictórica
de suas criações, tem que jogar apenas com as
linhas, os valores do claro-escuro, as vibrações
do traço, e o ritmo das formas. Apenas excepcionalmente
emprega a cor nas gravuras, como no Pescador e nas ilustrações
de Cobra Norato, poema de Raul Bopp.
Abrindo
claridade nas massas de sombra e conduzindo as correntes atmosféricas
do céu, graças a milhares de traços miúdos
e riscos convergentes que sugerem as direções
do vento e da luz - ele atinge graficamente um poder de evocar
formas e ambientes que não conseguiria com a pintura.
O sensualismo e a musicalidade da cor não se ajustariam
ao seu temperamento crispado. Em compensação,
o que consegue com o claro-escuro e o traço permite-lhe
fixar certos aspectos intraduzíveis por outros meios
plásticos.
O
conteúdo principal das coisas visíveis encontra-se
no mundo invísivel de que elas são ao mesmo
tempo o sinal e a projeção incompleta. Está
atrás. Pelo menos um artista como Goeldi, habituado
a decifrar o ilegível das profundezas que as aparências
recobrem. Para ele, a arte abstrata não tem razão
de ser; é preciso criar formas novas; basta elevar
ao plano visionário as que já existem, cercando-as
de uma auréola de poesia em que perdem a opacidade
e entregam o seu mistério.
Mas
não é unicamente sob a incidência de tal
ou qual luz poética que as coisas irradiam melhor e
adquirem valor de símbolo; também pela vizinhança
que se lhes dá, pela maneira com que são dispostas
na obra de arte. Dir-se-ia que as formas procuram avistar-se
com aquelas que vivem separadas. O famoso 'encontro fortuito
na mesa de dissecação de uma máquina
de costura com um guarda-chuva' (Lautréamont) reproduz-se
indefinidamente na natureza entre objetos-personagens, distribuídos
em caprichosa formação."
Anibal
Machado
MACHADO, Aníbal. Goeldi. In: MATRIZES do expressionismo
no Brasil: Abramo, Goeldi e Segall. Texto Tadeu Chiarelli;
Aníbal Machado; Sônia Salzstein. São Paulo:
MAM, 2000. 87 p., il. color.
"Abandono
e esquecimento formam o eixo do trabalho de Goeldi; latas
derrubadas, cães vadios, móveis ao relento.
No entanto, pelo fato mesmo de não serem lembradas,
as coisas parecem aqui ainda preservadas da mesquinhez, cheias
de mistério e de potência. Aquilo que foi deixado
de lado está inteiro, pronto para ser acionado, e o
vento que bafeja essas gravuras quer acordar os homens, bichos,
lugares, chamando-os à vida. Sua afeição,
no entanto, não pode ter a solidez e clareza objetiva
de quem os esqueceu. Daí o crepúsculo contínuo
e sempre renovado desses trabalhos.
(...)
No entanto, encantamento e suspensão caracterizam também
essas gravuras e desenhos. Isso vem, creio, da intensa analogia
formal entre seus elementos. Cheios são vazios, casas
são ruas, urubus são guarda-chuvas, as janelas
nos olham. Tudo é meio assemelhado a tudo, bafejado
pelo mesmo sopro de vida, as formas ecoando discretamente
umas nas outras, como se ainda não tivesse se formado
de todo. Essa individuação incompleta faz grande
parte da originalidade de Goeldi, e permite que as distorções
expressionistas que o influenciaram abdiquem de seu desespero.
O mundo de Goeldi é um mundo em suspensão, seus
habitantes ainda despertam e se procuram, e se caminham para
a morte o fazem solidariamente. Daí a calma de sua
tristeza, onde abandono e comunhão convivem."
Nuno
Ramos
RAMOS, Nuno. Para Goeldi.São Paulo: AS Studio,1996.
p.17-18.
"A
obra de Goeldi de fato impressiona pela amplitude e profundidade
das questões que apresenta. Os homens que vagam pelas
superfícies negras de suas gravuras não têm
aonde ir, embora estejam sempre a caminho. São seres
urbanos e mantêm com a cidade um contato estreito -
partilham a sua 'cor', seu anonimato. Apenas uma estreita
faixa os separa do ambiente em que se movem. E no entanto
nada os acolhe. Curvados, eles precisam atravessar uma atmosfera
espessa, que lhes dificulta os movimentos. Não enfrentam,
porém, forças naturais. Seus pescadores, sim,
se batem com ventos fortes e águas traiçoeiras.
E esse confronto primitivo - em que as figuras humanas são,
em geral, maiores do que as cenas urbanas - a meu ver reduz
a atualidade e o drama de muitas obras de Goeldi. Já
os habitantes das cidades construíram espaços
que eles mesmos não reconhecem.(...)
A
atração de Goeldi por figuras marginais e trabalhadores
rudes adquire então um novo sentido. Bêbados,
miseráveis, pescadores e prostitutas mantêm com
a vida uma relação mais autêntica. O que
os engrandece não é só uma recusa à
lógica do lucro, com sua hipocrisia e violência.
Em sua precariedade, levam uma vida que não oculta
a fragilidade humana. Um forte moralismo marca sua visão
de mundo. Como todos os expressionistas - categoria em que
não se encaixa facilmente -, Goeldi opõe uma
altivez torturada e íntegra à adesão
irrestrita a valores corrompidos. Não parece, porém,
elevar a arte - uma sensiblidade mais genuína - à
condição de paradigma. À maneira de suas
personagens, deixa as mazelas cotidianas penetrarem seu mundo.
Suas formas instáveis, dispersas, não resultam
do confronto de uma subjetividade superior com as agruras
da vida. Revelam antes uma corrosão a que ninguém
escapa."
Rodrigo
Naves
NAVES,
Rodrigo. Goeldi. São Paulo: Cosac & Naify, 1999.
p. 7-10. (Espaço da arte brasileira).
"Enquanto
a gravura de Segall exprime a emoção, e mais
a dor que a alegria, a de Oswaldo Goeldi não a prescreve,
pois seu impulso é a 'necessidade interior', expressa
no desenho e na xilogravura, à qual se dedica mais
que às outras técnicas gráficas. É
fundamental que a necessidade interior preexista à
forma, como o informe aberto 'àquilo', à determinação
que a satisfaz. Comparando-se o processo enumerativo nas descrições
escritas e nas descrições gravadas de Goeldi,
vê-se que elas não só coincidem como contemplação
que ultrapassa as diferenças da escritura e da arte,
mas também insistem em que a cena desintensifica o
movimento físico e anímico das personagens:
é na suspensão que se revela 'aquilo'. A suspensão
inscreve, atenuante, a emoção na cena: por isso,
Goeldi não é gesticulante em suas visões,
o que não se pode dizer de muitas de suas ilustrações,
nas quais os movimentos do corpo e da alma, estando prescritos
pelo texto, predeterminam-lhe a vidência e impedem que
a noite domine, suspensiva.
Na
gravura de Goeldi, a suspensão, que ilumina solidão
e solitários, é a noite profunda e vulturina,
que nele visionam Alfred Kubin e Carlos Drummond de Andrade.
Nada sendo dito, a cena interdita gesticulação,
pois os corpos pendem, mesmo quando caminhantes. Não
havendo diferença entre figura e fundo, entre seres
e lugares, não há separação gráfica
entre cenografia e corpos, mas indissolubilidade, de sorte
que o próprio cenário se determina pelas personagens,
cruzamento que pode fazer o mudo muito significar e o muito
significante emudecer. Essa duplicidade na gravura torna o
cenário semblante, pondo-se, subitamente, o casario
a olhar, assombrando o passante noturno, anjo, bêbado,
outro, nunca individualizado, nunca retratado. Na suspensão,
surpreendem-se cenários e corpos a demonstrar que a
necessidade interior se exprime.
Embora
tenha feito algumas litografias na Europa, Goeldi começa
a xilogravuras em 1923, ilustra livros nos anos 40 e 50, produz
álbum em 1930 e, desde os anos 20, faz gravuras para
periódicos, tornando-se conhecido por esta obra de
muitos artistas e amadores. A gravura, como declara, surge
nele como necessidade de disciplina, pois entende que seu
desenho é divagante. As relações de desenho
e gravura são, aliás, intricadas: Goeldi afirma
que a gravura, por corretiva, é uma camisa-de-força
da qual o artista se liberta pelo desenho, não se identificando,
aqui, o desenho como fim em si mesmo e o desenho como instrumento,
lançado e relançado pelo artista em sua lenta
reflexão de gravador. É nesse horizonte, também,
que a cor, a um tempo paixão e obstáculo, propõe-se:
gráfica, ela nunca será estampagem."
Leon
Kossovitch e Mayra Laudanna
KOSSOVITCH
Leon; LAUDANNA, Mayra. A gravura moderna. In: GRAVURA: arte
brasileira do século XX. Apresentação
Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna,
Ricardo Resende; fotografia da capa Romulo Fialdini. São
Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p. 5.
DEPOIMENTOS
"Eu
moro aqui, ao lado do mar, na baía mais afastada do
Rio, 'Praia de Ipanema-Leblon'. Das poucas casas que de vez
em quando aparecem neste deserto de areia, pode-se ver quase
que só os telhados. Ventos fortíssimos, chegando
do mar, varrem estes desertos imensos e vazios, uivando e
empurrando com força enormes nuvens de areia. Rangendo,
lanternas dependuradas no alto dos postes são jogadas
para lá e para cá, e os fios da rede elétrica,
tensos até arrebentar, fazem um ruído ameaçador
- o tilintar de vidros quebrados aumenta assustadoramente
esta barulheira diabólica.
As
gaivotas lutam, com toda a força de suas asas, contra
estes ventos ferozes de tempestade - apesar do forte bater
das asas não conseguem avançar nem um centímetro.
Pegas pelo vento, numa evolução lateral, são
atiradas como flechas por cima de uma superfície de
mar revolto - as pontas das asas quase tocando as espumas
das ondas.
Um
lugar assim, caro Sr. Kubin, certamente iria lhe agradar.
O mar é tão lindo na luz do sol, tão
cristalino, que a gente sente o coração mais
puro.
O
quarto que aluguei tem uma porta e uma janela - a largura
dele é a largura da casa. À noite, abrindo tudo,
tenho a sensação de estar deitado debaixo de
céu aberto."
Oswaldo
Goeldi
Rio,
16 de dezembro de 1930
GOELDI,
Oswaldo. Correspondência a Alfred Kubin (Rio, 16 / 12
/ 1930). In: RIBEIRO, Noemi Silva (Org.). Oswaldo Goeldi:um
auto-retrato. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil,
1995. p.166.
"Os
horizontes infinitos que se abriram para mim ao contemplar
a abundância dos seus [Kubin] trabalhos - 1930 na minha
tão curta visitinha a Wernstein - e as palavras bondosas
que o senhor me dirigiu obrigam-me a ser-lhe eternamente grato.
O que na ocasião me pareceu novo, nos seus trabalhos,
era o comovente - a emoção que transmitem, ao
contrário de outras criações, que nos
agradam mais pelo seu alcance. Não sei se consegui
me fazer entender. Foi uma experiência fortíssima
para mim. Alguns dos trabalhos de Munch, e, principalmente,
os desenhos de Van Gogh me falam intimamente. Nos trabalhos
de Van Gogh sente-se o nervo exposto, dolorido, mas me agradam
muito. Porém, ninguém tem como o senhor esta
envergadura, esta riqueza; ninguém exprimiu tão
fortemente o seu eu mais íntimo - isto eu digo sem
entusiasmo cego."
Oswaldo
Goeldi
Rio,
8 de maio de 1933
GOELDI,
Oswaldo. Correspondência a Alfred Kubin (Rio, 8 / 05
/ 1933). In: RIBEIRO, Noemi Silva (Org.). Oswaldo Goeldi:um
auto-retrato. Organizacao Sérgio Laks. Rio de Janeiro:
Centro Cultural Banco do Brasil, 1995. p.170.
"Só
Deus sabe quantas vezes eu pensei no que será o 'dia-a-dia
de Goeldi'. Que me contou do clima, do mato verde, das andanças
noturnas, do vaguear diurno, de excitantes verduras e frutas
tropicais, etc. Mas, na pequena folha que mostra uma mesinha
na beira-mar, o senhor realizou uma coisa até agora
nunca vista - está vindo 'aquilo' - a noite profunda
- foi 'uma vida realizada'."
Última
carta de Alfred Kubin a Oswaldo Goeldi
7
de janeiro de 1951
in
Carta de Alfred Kubin a Oswaldo Goeldi, 7. jan.1951. in ZILIO,
Carlos (org.). Oswaldo Goeldi: Rio de Janeiro: Solar Grandjean
Montigny, [s.d.]. p.28.
OUTROS
TEXTOS:
A
GOELDI
De uma cidade vulturina
vieste a nós, trazendo
o ar de suas avenidas de assombro
onde vagabundos peixes esqueletos
rodopiam ou se postam em frente a casas inabitáveis
mas entupidas de tua coleção de segredos,
ó Goeldi: pesquisador da noite moral sob a noite física.
Ainda não desembarcaste de todo
e não desembarcarás nunca.
Exílio e memória porejam das madeiras
em que inflexivelmente penetras para extrair
o vitríolo das criaturas
condenadas ao mundo.
És metade sombra ou todo sombra?
Tuas relações com a luz como se tecem?
Amarias talvez, preto no preto,
fixar um novo sol, noturno; e denuncias
as diferentes espécies de treva
em que os objetos se elaboram:
a treva do entardecer e a da manhã;
a erosão do tempo no silêncio;
a irrealidade do real.
Estás sempre inspecionando
as nuvens e a direção dos ciclones,
Céu nublado, chuva incessante, atmosfera de chumbo
são elementos do teu reino
onde a morte de guarda-chuva
comanda
Poças de solidão, entre urubus.
Tão solitário, Goeldi! mas pressinto
no glauco reflexo furtivo
que lambe a canoa de teu pescador
e na tarja sanguínea a irromper, escândalo, de
teus negrumes
uma dádiva de ti à vida.
Não sinistra,
mas violenta
e meiga
destas cores compõe-se a rosa em teu louvor.
Carlos
Drummond de Andrade
ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummond de Andrade:poesia
e prosa. Introdução Afrânio Coutinho.
8.ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 278-27
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