| Gravador,
desenhista, ilustrador e professor, Oswaldo Goeldi nasceu
na cidade do Rio de Janeiro em 1895. Logo após seu
nascimento e até os seis anos de idade, Goeldi morou
em Belém (PA) com seus pais, Adelina Meyer Goeldi e
Emilio Augusto Goeldi. Seu pai, renomado zoólogo e
naturalista suiço, deu nome a uma das mais importantes
instituições de Belém, da qual foi diretor:
o Museu Paraense Emílio Goeldi, sempre voltado à
pesquisa e vinculado ao Ministério da Ciência
e Tecnologia do Brasil que, desde sua fundação,
em 1866, concentra suas atividades no estudo científico
dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia.
Oswaldo
Goeldi viveu na Suíça até o falecimento
de seu pai. Depois disso, abandonou o curso na Escola Politécnica
para se matricular na École des Art et Métiers.
Decepcionado com a escola, passou a ter aulas com Serge Pahnke
e Henri Van Muyden. Em 1917 realizou sua primeira exposição
individual em Berna (Suíça), quando conheceu
a obra do austríaco Alfred Kubin, seu mentor artístico.
Na mesma
época tornou-se amigo de Hermann Kümmerly, com
quem fez suas primeiras litografias. De volta ao Brasil, em
1919, executou trabalhos como ilustrador. Dois anos depois,
ao expor no saguão do Liceu de Artes e Ofícios,
aproximou-se de pessoas interessadas na renovação
da arte, como a Semana de 1922. A partir de 1923, dedicou-se
intensamente à xilogravura que conheceu com Ricardo
Bampi.
Fez trabalhos
para revistas, livros e periódicos. Em 1930, lançou
o álbum "Dez Gravuras em Madeira", prefaciado
por Manuel Bandeira e cuja venda permitiu seu retorno à
Europa, onde expôs novamente em Berna e em Berlim. Por
volta de 1932, retornou ao Brasil e começou a experimentar
o uso da cor em xilogravuras. Consolidado como ilustrador,
expôs na 25ª Bienal de Veneza em 1950. Ganhou o
Prêmio de Gravura da 1ª Bienal Internacional de
São Paulo, em 1951.
Sua carreira
como professor começou em 1952 e, após três
anos, passou a ensinar xilogravura na Escola Nacional de Belas
Artes (ENBA). Em 1956, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São
Paulo, foi realizada sua primeira retrospectiva. Sua obra
já participou de mais de uma centena de exposições
póstumas no Brasil, Argentina, França, Portugal,
Suíça e Espanha. Hoje, Goeldi é venerado
no meio artístico e suas obras são matérias
de referência no campo da gravura no mundo todo.
CRONOLOGIA
31/10/1895
- Oswaldo Goeldi nasce no Rio de Janeiro;
1896 - Segue para Belém do Pará;
1901 - Vai para a Suíça;
1915 - Ingressa na Politécnica de Zurique e começa
a desenhar;
1917 - Abandona a Politécnica e entra para École
des Arts et Metiers" em Genebra;
1919 - Regressa ao Brasil;
1921 – Expõe no Liceu de Artes e Ofícios
no Rio de Janeiro;
1924 - Faz ilustrações para “O Malho"
e "Para Todos". Inicia seus estudos da gravura com
Ricardo Bampi;
1926 - Envia alguns de seus trabalhos para Alfred Kubin que
o aconselha a expor na Europa;
1928 - Faz ilustrações para "Canaã"
de Graça Aranha;
1929 - Faz ilustrações para "O Manque"
de Benjamim Costallat;
1930 - Faz um álbum com 10 gravuras prefaciadas por
Manuel Bandeira, viaja para a Europa e expõe na Galeria
Kunst-Klipstein, em Berna, e na Galeria Werthein, em Berlim;
1930/1931 - Viaja para Zurique, Berna e Berlim onde participa
de exposições ao lado de Matisse, Utrillo, Waroquier
e Leo Long. Expõe também no Atelier de Kummerly,
em Mury, na Suiça;
1937 - Ilustra o livro Cobra Nonato" de Raul Bopp e inicia
com a cor na gravura;
1938 - Expõe em Belém (PA), Salvador (BA) e
Rio de Janeiro (RJ), com mostra organizada por Di Cavalcanti,
Aníbal Machado e Santa Rosa;
1941 - Ilustra o suplemento literário “Autores
& Livros” - publicação do Jornal da
Manhã, para os "Humilhados e Ofendidos" de
Dostoievski" e inicia uma série de desenhos sobre
a guerra "As luzes se apagam, agitam-se os monstros”;
1943 - Ilustra para "Ressurreição da Casa
dos Mortos" de Dostoievski e para "Carlinhos"
de Villegas Lopes;
1944 - Faz uma série de gravuras com o título
"Balada da Morte" (Revista Clima-SP) e para "O
Idiota" de Dostoievski. Participa da exposição
de Arte Moderna pela Prefeitura de Belo Horizonte. Expõe
individualmente no Instituto de Arquitetos do Brasil;
1945 - Faz ilustração para "Martin Cererê"
de Cassiano Ricardo e para "Letras e Artes" no suplemento
dominical "A Manhã";
1949 - Faz ilustração para "Cheiro de Terra"
de Caio de Mello Franco;
1950 - Participa da representação brasileira
na Bienal em Veneza, Salão de Belas Artes na Bahia
e Mostra de Arte Brasileira em Roma;
1951 - Participa da 1ª Bienal de São Paulo. Ganha
o Prêmio da Gravura Nacional. Expõe na galeria
Domus (SP);
1952 - Começa a ensinar na escolinha de Arte de Augusto
Rodrigues (RJ). Expõe na Galeria Tenreiro (RJ);
1953 - Participa da 2ª Bienal de São Paulo. Vai
para Montevidéu a convite do Instituto Uruguaio Brasileiro
e realiza curso sobre gravura. Ilustra para "Memórias
do Subsolo" de Dostoievski. Realiza curso sobre gravura;
1954 - Expõe em Runstmuseum, em Berna, e na Galeria
Oxumaré, na Bahia;
1955 - Começa a lecionar na ENBA. Publica o álbum
"Goeldi" com apresentação de Aníbal
Machado. Participa da 3ª Bienal de São Paulo e
recebe homenagem do Grupo de Estudos Mário de Andrade
(Pen Club do Brasil);
1956 - Participa da III Internacional Austellung von Holzschwitte,
em Zurique. Participa de exposição no MAM de
São Paulo e da retrospectiva no MAM no Rio de Janeiro;
1957 - Participa de exposição promovida pelo
Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro;
1958 - Participa de exposições em Veneza, Buenos
Aires e na Galeria GEA no Rio de Janeiro;
1959 - Ilustra "Lições de Abismo"
de Gustavo Corsao. Participa de exposições em
galerias do Rio de Janeiro e São Paulo;
1960 - Ilustra "Mar Morto" de Jorge Amado e ganha
o primeiro prêmio internacional de gravura da II Bienal
Americana do México. Expõe na Galeria Bonino,
no Rio de Janeiro;
16/02/1961 - Oswaldo Goeldi morre no Rio de Janeiro.
FORMAÇÃO
1914 - Zurique (Suíça) - Ingressa na Escola
Politécnica.
1917 -
Genebra (Suíça) - Com a morte do pai, abandona
a Escola Politécnica e matricula-se na École
des Arts et Métiers. Conhece a obra do desenhista austríaco
Alfred Kubin, com o qual mantém correspondência
de 1926 a 1952. Freqüenta os ateliês de Serge Pahnke
e Henri Van Muyden
1934 -
Niterói (RJ) - No ateliê de Ricardo Bampi, artista
brasileiro educado na Alemanha, aprende técnicas da
xilogravura.
VIAGENS
1922 -
Europa - Retorna, a pedido da poetisa Beatrix Reynal e de
um grupo de intelectuais.
1930 -
Berna (Suíça) - Viaja com o dinheiro obtido
na venda do álbum “10 Gravuras em Madeira de
Oswaldo Goeldi”
1931 -
Arles (França) e Muri (Suíça) - Visita
o sul da França e a região de Arles. Deixa matrizes
e desenhos com Hermann Kümmerly, em Muri.
1941 -
Bahia - Viaja para se resguardar da perseguição
às pessoas com ascendência germânica, por
ocasião da 2ª Guerra Mundial.
1953 -
Montevidéu (Uruguai) - Viaja a convite do Instituto
Uruguaio-Brasileiro
ATIVIDADES EM ARTES
Gravador,
desenhista, ilustrador, professor
1917 -
Berna (Suíça) - Torna-se amigo do artista suíço
Hermann Kümmerly e faz litografias no seu ateliê.
1919 -
Rio de Janeiro (RJ) - Inicia trabalho como ilustrador na revista
“Para Todos”, de Álvaro Moreyra.
1922 -
Rio de Janeiro (RJ) - Instala-se em ateliê preparado
pela poetisa Beatrix Reynala.
1924 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o periódico “O
Malho”, de Álvaro Moreyra.
1928 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Canaã”,
de Graça Aranha, que não chega a ser publicado.
1929 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “O Mangue”, de Benjamin
Costallot, que não chega a ser publicado.
1930 -
Rio de Janeiro (RJ) - Publica, por intermédio das Oficinas
Gráficas de Paulo Pongetti & Cia., o álbum
“Dez Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi”, prefaciado
por Manuel Bandeira.
1932 -
Envia a Kümmerly o resultado da sua primeira experiência
cromática, a gravura “Baianas”, impressa
em amarelo e vermelho
1937 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Cobra Norato”,
de Raul Bopp, com xilogravuras coloridas, em edição
semi-artesanal, com tiragem de 150 exemplares.
1937 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o álbum “André
de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado”,
poema de Cassiano Ricardo.
1941 -
Rio de Janeiro (RJ) - Começa a trabalhar na ilustração
das “Obras Completas de Dostoievski”, publicadas
pela Editora José Olympio.
1941 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o suplemento dominical do jornal
“A Manhã”, no caderno Autores e Livros.
1941 -
Rio de Janeiro (RJ) - Realiza a série de desenhos sobre
a guerra “As luzes se apagam, agitam-se os monstros”
1941 -
Rio de Janeiro (RJ) - É publicado, com ilustrações
suas, o romance de Dostoievski “Humilhados e Ofendidos”,
pela Livraria José Olympio Editora.
1942 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o livro “Aux Rives de
Notre Ocean”, de Jacques Perroy Cuers, ao lado de Henrique
Cavalheiro e J.C. Chabloz, entre outros, editado pela Livraria
Geral Franco-Brasileira.
1944 -
São Paulo (SP) - A revista “Clima” publica
a série de xilogravuras “Balada da Morte”
1944 -
Rio de Janeiro (RJ) - Faz ilustrações para “Memórias
do Subsolo”, incluído na primeira edição
do volume “O Eterno Marido”, de Dostoievski, publicação
da Editora José Olympio, e para o livro “Fascinação
da Amazônia”, de Ester Leão da Cunha, da
Editora Irmãos Pongetti & Cia.
1944 -
Rio de Janeiro (RJ) - Grava as imagens de “Carlitos,
a vida, a obra e a arte do gênio do cine”, de
Manuel Villegas Lopes, publicado pela Editora Leitura.
1945 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o romance “Recordações
da Casa dos Mortos”, de Dostoievski, e “Martim
Cererê, o Brasil dos Meninos, dos Poetas e dos Heróis”,
de Cassiano Ricardo, em edição da empresa “A
Noite”.
1945 -
Rio de Janeiro (RJ) - Realiza ilustração para
“Letras e Artes”, no suplemento dominical “A
Manhã”.
1946 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Frô-de-Pena”,
versos caipiras de Jacy G. Ricardo, em edição
da empresa “A Noite”.
1949 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Cheiro da Terra”,
de Caio de Mello Franco, publicado pela Editora Gráfica
das Artes, e “O Idiota”, de Dostoievski, com desenhos
a bico-de-pena.
1950 -
Rio de Janeiro (RJ) - Faz ilustrações para o
livro “O Homem de Duas Cabeças”, de Oswaldo
de Almeida Fischer, das Edições Oásis,
e para “Cogumelos – Contos”, de Breno Acióli,
da empresa “A Noite”.
1951 -
Rio de Janeiro (RJ) - Passa a ser membro do júri do
Salão Nacional de Belas Artes, na categoria de desenho
e artes gráficas.
1951 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra com xilogravuras o livro “Minha
Primeira Comunhão”, de Maria Pacheco Chaves,
Editora Agir.
1952 /
1953 - Rio de Janeiro (RJ) - Leciona xilogravura na Escolinha
de Arte do Brasil.
1955 -
Rio de Janeiro (RJ) - Torna-se professor da ENBA, onde abre
oficina de xilogravura.
1951 /
1955 - Rio de Janeiro (RJ) - É membro do júri
do Salão Nacional de Belas Artes, Divisão Moderna,
nas categorias desenho e artes gráficas.
1959 -
Rio de Janeiro (RJ) - Grava as ilustrações de
“Lições do Abismo”, de Gustavo Corção,
para a Livraria Agir.
1960 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o livro “Mar Morto”,
de Jorge Amado, editado em 1967 pela Martins Fontes.
1960 -
Rio de Janeiro (RJ) - Convidado pelo Clube dos Cem Bibliófilos,
inicia a gravação das ilustrações
para “Poranduba Amazonenses”, texto de Barbosa
Rodrigues. O trabalho é finalizado por Darel Valença
Lins.
EXPOSIÇÕES
INDIVIDUAIS
1917 - Berna (Suíça) - Individual, na Galeria
Wyss
1921 -
Rio de Janeiro (RJ) - Individual, no Liceu de Artes e Ofícios
1930 -
Berna (Suíça) - Individual, na Galeria Gutekunst
& Klipstein
1938 -
Belém (PA) - Individual, na Biblioteca do Arquivo Público
1951 -
São Paulo (SP) - Individual, na Galeria Domus
1952 -
Paris (França) - Individual, na Association Artistique
et Litteraire
1952 -
Rio de Janeiro (RJ) - Individual, na Galeria Langenbach &
Tenreiro
1952 -
Santiago (Chile) - Individual, no Museo de Arte Moderno
1954 -
Salvador (BA) - Individual, na Galeria Oxumaré
1956 -
São Paulo (SP) - Individual, no MAM-SP
1956 -
Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi: retrospectiva, no MAM-RJ
1958 -
Rio de Janeiro (RJ) - Individual, na Galeria G.E.A.
1959
- São Paulo (SP) - Individual, na Galeria Langebach
& Tenreiro
1959
- Rio de Janeiro (RJ) - Individual, na Piccola Galeria - Instituto
Italiano de Cultura
EXPOSIÇÕES COLETIVAS
1930 - Berlim (Alemanha) - Coletiva, na Galeria Werthein
1930 -
Muri (Suíça) - Coletiva, no ateliê de
Hermann Kümmerly
1933 -
Rio de Janeiro (RJ) - 3º Salão da Pró-Arte,
na ENBA
1935 -
Rio de Janeiro (RJ) - Exposição de Arte Social,
no Clube de Cultura Moderna do Rio de Janeiro
1938 -
Rio de Janeiro (RJ) - Coletiva organizada por Di Cavalcanti,
Aníbal Machado e Santa Rosa
1944 -
Londres e Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian
Paintings, na Royal Academy of Arts e no Castle Museum
1944 -
Belo Horizonte (MG) - Exposição de Arte Moderna,
no MAP
1945 -
Edimburgo e Glasgow (Escócia) e Baht, Bristol e Manchester
(Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na
National Gallery of Scotland, Kelingrove Art Gallery, Victory
Art Gallery, Bristol Museum Art Gallery e Manchester Art Gallery
1950 -
Veneza (Itália) - 25ª Bienal de Veneza
1950 -
Salvador (BA) - 2º Salão de Belas Artes da Bahia
- medalha de ouro
1950 -
Roma (Itália) - Arte Moderna Brasileira, na Galleria
D'Arte della Casa Del Brasil
1950 -
Tchecoslováquia (atual República Tcheca) - Bienal
de Gravura
1950
- Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, organizada pela International
Business Corporation
1951
- São Paulo (SP) - 1ª Bienal Internacional de
São Paulo, no MAM-SP - primeiro prêmio gravura
nacional
1952 -
Veneza (Itália) - 26ª Bienal de Veneza
1952 -
Tóquio (Japão) - Bienal de Xilogravura
1952
- Rio de Janeiro (RJ) - Exposição de Artistas
Brasileiros, no MAM-RJ
1953
- São Paulo (SP) - 2ª Bienal Internacional de
São Paulo, no MAM-SP
1953
- Montevidéu (Uruguai) - Coletiva, no Instituto de
Cultura Uruguaio-Brasileiro
1954
- Zurique (Suíça) - Arte Brasileira, Arquitetura
Brasileira Moderna e Novos Gráficos Brasileiros, no
Kunstgewerbemuseum
1954
- São Paulo (SP) - Arte Contemporânea: exposição
do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no
MAM-SP
1954
- Berna (Suíça) - Graveurs Brésiliens,
no Museu de Belas Artes
1954
- Rio de Janeiro (RJ) - Salão Preto e Branco, no Palácio
da Cultura
1955
- São Paulo (SP) - 3ª Bienal Internacional de
São Paulo, no MAM-SP - artista convidado
1956
- Veneza (Itália) - 28ª Bienal de Veneza
1957
- Buenos Aires e Rosário (Argentina), Lima (Peru) e
Santiago (Chile) - Arte Moderno en Brasil, no Museo Nacional
de Bellas Artes, no Museo Municipal de Bellas Artes Juan B.
Castagnino, no Museo de Arte e no Museo de Arte Contemporáneo
1957
- Montevidéu (Uruguai) - Grabado Brasileño,
no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro
1958
- Veneza (Itália) - 29ª Bienal de Veneza
1958
- Lugano (Itália)- 5ª Exposizione Internazionale
de Bianco e Nero
1959
- Rio de Janeiro (RJ) - 30 Anos de Arte Brasileira, na ENBA
1959
- Munique (Alemanha) - Arte Moderna Brasileira na Europa,
na Casa do Artista
1959
- Viena (Suíça) - Gravura do Brasil, no Museu
Albertina
1960
- Cidade do México (México) - 2ª Bienal
Interamericana do México, no Palácio de Belas
Artes - 1º prêmio internacional de gravura
1960
- São Paulo (SP) - Coleção Leirner, na
Galeria de Arte da Folha
1960 - Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi e Grassmann, na Galeria
Bonino
HOMENAGENS
/ TÍTULOS / PRÊMIOS
1920
/ 1921 - A primeira individual, no Liceu de Artes e Ofícios,
é elogiada pelos escritores Álvaro Moreyra,
Manuel Bandeira, Aníbal Machado, Ronald de Carvalho,
Rachel de Queiroz, Olegário Mariano, Otto Maria Carpeaux
e pelo pintor
Di Cavalcanti
1955
- Rio de Janeiro (RJ) - O MEC edita o álbum “Goeldi”,
prefaciado por Aníbal Machado
1955
- É homenageado por intelectuais e artistas, por iniciativa
de Mário Barata, do Grupo de Estudos Mário de
Andrade
e pelo Pen Clube do Brasil, por sua contribuição
à gravura brasileira
1967
- Carlos Frederico produz o curta-metragem “Noturno
de Goeldi”, com direção e roteiro de sua
autoria e texto de Carlos Drummond de Andrade
1996
- São Paulo (SP) - Nuno Ramos realiza a exposição
individual “Para Goeldi”, no A5 Studio
EVENTOS
PÓSTUMOS
1961
- São Paulo (SP) - 6ª Bienal Internacional de
São Paulo, no MAM-SP
1961
- Rio de Janeiro (RJ) - 1º O Rosto e a Obra, na Galeria
Ibeu Copacabana
1962
- São Paulo (SP) - Marcelo Grassmann, Eduardo Sued,
Oswaldo Goeldi e Darel, na Galeria Residência
1962 -
Buenos Aires (Argentina) - Individual, no Museo Nacional de
Bellas Artes
1966 -
Rio de Janeiro (RJ) - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana
1966 -
Salvador (BA) - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1969 -
São Paulo (SP) - 10ª Bienal Internacional de São
Paulo, na Fundação Bienal
1971 -
São Paulo (SP) - 11ª Bienal Internacional de São
Paulo, na Fundação Bienal
1972 -
São Paulo (SP) - A Semana de 22: antecedentes e conseqüências,
no Museu de Arte de São Paulo (Masp).
1974 -
Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi-Grassmann-Messias, na Bolsa de
Arte
1975 -
São Paulo (SP) - O Modernismo de 1917 a 1930, no Museu
Lasar Segall
1976
- São Paulo (SP) - Os Salões: da Família
Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas
Plásticos de São
Paulo, no Museu Lasar Segall
1978 -
Rio de Janeiro (RJ) - 1º Salão Nacional de Artes
Plásticas - Três Mestres da Gravura do Brasil,
no Palácio da Cultura
1979 -
São Paulo (SP) - 15ª Bienal Internacional de São
Paulo, na Fundação Bienal
1980 -
Rio de Janeiro (RJ) - Homenagem a Mário Pedrosa, na
Galeria Jean Boghici
1982 -
São Paulo (SP) - Do Modernismo à Bienal, no
MAM-SP
1982 -
São Paulo (SP) - Seis Gravadores Expressionistas do
Brasil: Segall, Goeldi, Abramo, Renina, Poty, Grassmann, no
Museu Lasar Segall
1983
- Olinda (PE) - 2ª Exposição da Coleção
Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas, no Museu de
Arte Contemporânea (MAC-PE)
1983
- São Paulo (SP) - Oswaldo Goeldi, na Grifo Galeria
de Arte
1984 -
Curitiba PR - 6ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba,
na Fundação Cultural
1984 -
Rio de Janeiro (RJ) - A Xilogravura na História da
Arte Brasileira, na Fundação Nacional de Arte.
Centro de Artes
1984 -
São Paulo (SP) - Coleção Gilberto Chateaubriand:
retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM-SP
1984 -
Ribeirão Preto (SP) - Gravadores Brasileiros - Anos
50 / 60, na Galeria Campus – Universidade de São
Paulo (USP) - Banespa
1984 -
Porto Alegre (RS) - Gravuras: uma trajetória no tempo,
no Cambona Centro de Arte
1984 -
São Paulo (SP) - Tradição e Ruptura:
síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação
Bienal
1985 -
São Paulo (SP) - 18ª Bienal Internacional de São
Paulo, na Fundação Bienal
1985
- Porto Alegre (RS) - Iberê Camargo: trajetória
e encontros, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).
1985
- Rio de Janeiro (RJ) - 8º Salão Nacional de Artes
Plásticas, no MAM-RJ
1986 -
Brasília (DF), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro
(RJ) - Iberê Camargo: trajetória e encontros,
no Teatro Nacional, no Masp e no MAM-RJ
1987 -
São Paulo (SP) - 19ª Bienal Internacional de São
Paulo - Imaginários Singulares, na Fundação
Bienal
1987 -
São Paulo (SP) - As Bienais no Acervo do MAC: 1951
a 1985, no MAC-USP
1987 -
Rio de Janeiro (RJ) - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto
Chateaubriand, no MAM-RJ
1987 -
Paris (França) - Modernidade: arte brasileira do século
XX, no Musée d'Arte Moderne de la Ville de Paris
1987 -
São Paulo (SP) - 18º Panorama de Arte Atual Brasileira:
arte sobre papel, no MAM-SP
1987 -
São Paulo (SP) - Modernidade: arte brasileira do século
XX, no MAM-SP
1988
- Curitiba (PR) - 8ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba,
na Fundação Cultural
1988
- São Paulo (SP) - Brasiliana: o homem e a terra, na
FESP
1988 -
Lisboa (Portugal) - Pioneiros e Discípulos, na Fundação
Calouste Gulbenkian. Centro Cultural Calouste Gulbenkian
1989 -
Rio de Janeiro (RJ) - Gravura Brasileira: 4 temas, na Escola
de Artes Visuais (EAV-Parque Lage)
1990 -
São Paulo (SP) - A Coleção de Arte do
Município de São Paulo, no Masp
1991 -
São Paulo (SP) - A Mata, no MAC-USP
1991 -
São Paulo (SP) - Homem e Natureza, no MAC-USP
1992 -
Zurique (Suíça) - Brasilien: entdeckung und
selbstentdeckung, no Kunsthaus
1992 -
Rio de Janeiro (RJ) - Gravura de Arte no Brasil: proposta
para um mapeamento, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
1993
- Rio de Janeiro (RJ) - Brasil 100 Anos de Arte Moderna, no
Museu Nacional de Belas Artes (MNBA)
1993
- Poços de Caldas (MG) - Coleção Mário
de Andrade: o modernismo em 50 obras sobre papel, na Casa
de Cultura de Poços de Caldas
1993 -
São Paulo (SP) - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção
Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi
1993 -
João Pessoa (PB) - Xilogravura: do cordel à
galeria, na Fundação Espaço Cultural
da Paraíba (Funesc)
1994 -
São Paulo (SP) - Bienal Brasil Século XX, na
Fundação Bienal
1994 -
Poços de Caldas (MG) - Coleção Unibanco:
exposição comemorativa dos 70 anos do Unibanco,
na Casa de Cultura de Poços de Caldas
1994 -
Rio de Janeiro (RJ) - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção
Gilberto Chateubriand, no MAM- RJ
1994 -
São Paulo (SP) - Poética da Resistência:
aspectos da gravura brasileira, na Galeria de Arte do Sesi
1994
- Rio de Janeiro (RJ) - Trincheiras: arte e política
no Brasil, no MAM-RJ
1994
- São Paulo (SP) - Xilogravura: do cordel à
galeria, em estações do Metrô e no Masp
1995 -Rio
de Janeiro (RJ) - Coleção Unibanco: exposição
comemorativa dos 70 anos do Unibanco, no MAM-RJ
1995 -
São Paulo (SP) - Goeldi: nosso tempo, no Museu de Arte
Brasileira (MAB-Faap)
1995 -
São Paulo (SP) - Goeldi: seu tempo, no Instituto de
Estudos Brasileiros (IEB-USP)
1995 -
Belo Horizonte (MG) - Imagem Derivada: um olhar acerca do
desdobramento da gravura hoje, no Museu de Arte da Pampulha
(MAP)
1995 -
Rio de Janeiro (RJ) - Oswaldo Goeldi: um auto-retrato, no
CCBB
1996 -
São Paulo (SP) - Ex Libris / Home Page, no Paço
das Artes
1996 -
São Paulo (SP) - Oswaldo Goeldi, Mestre Visionário,
na Galeria de Arte do Sesi
1998
- São Paulo (SP) - Impressões: a arte da gravura
brasileira, no Espaço Cultural Banespa
1998
- São Paulo (SP) - O Moderno e o Contemporâneo
na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand
– MAM-RJ, no Masp
1998 -
São Paulo (SP) - Os Colecionadores - Guita e José
Mindlin: matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi
1999 -
Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi: gravuras, matrizes e desenhos,
na Casa França - Brasil
1999 -
Rio de Janeiro e Niterói (RJ) - Mostra Rio Gravura:
Oswaldo Goeldi, no Espaço Cultural dos Correios, Gravura
Moderna Brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes,
no MNBA, Literatura Brasileira e Gravura, na ABL, e Acervo
Banerj, no Museu do Ingá
1999 -
São Paulo (SP) - Oswaldo Goeldi, na Galeria Thomas
Cohn
2000 -
São Paulo (SP) - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento.
Arte Moderna, na Fundação Bienal
2000
- Brasília (DF) - Exposição Brasil Europa:
encontros no século XX, no Conjunto Cultural da Caixa
2000
- Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) - Matrizes do
Expressionismo Alemão no Brasil: Abramo, Goeldi e Segall,
no Paço Imperial e no MAM-SP
2000 -
Curitiba (PR) - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas
do Corpo, Dobras da Alma
2000 -
São Paulo (SP) - O Papel da Arte, na Galeria de Arte
do Sesi
2000 -
Rio de Janeiro (RJ) - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas
no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial
2000
- Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na
Fundação Calouste Gulbenkian. Centro Cultural
Calouste Gulbenkian
2000 - Lançamento da Obra "De mãos dadas
com o passado", em comemoração aos 500
anos do Brasil - de autoria de Lani Goeldi, onde retrata a
saga da Família Goeldi.
2000 - Exposição em Basel (Suíça),
em comemoração aos 500 anos do Brasil.
2000 -
São Paulo (SP) - Investigações. A Gravura
Brasileira, no Itaú Cultural
2000 -
São Paulo (SP) - Vídeo Gravura e Gravadores,
documentário dirigido por Olívio Tavares de
Araújo, com depoimentos do artista e outros gravadores;
produção Itaú Cultural
2001 -
Penápolis (SP) e Brasília (DF) - Investigações.
A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural
2001 -
São Paulo (SP) - Trajetória da Luz na Arte Brasileira,
no Itaú Cultural
2001
- Belém (PA) - Inauguração do Espaço
Arte Goeldi, nas dependências do Museu Paraense Emilio
Goeldi - Parque Zoobotânico - com exposição
póstuma de painéis com obras do artista sob
a curadoria de Lani Goeldi.
2004 - Fundação da Associação
Artística Cultural Oswaldo Goeldi - www.oswaldogoeldi.com.br
2005
- Criação do Centro Virtual de Documentação
e Referência Oswaldo Goeldi - exposição
póstuma com 40 obras do artista - Curadoria Noemi Ribeiro.
2006 – Instituído o Projeto Goeldi pela Associação
Artística Cultural Oswaldo Goeldi – Presidencia:
Lani Goeldi - www.oswaldogoeldi.org.br
2007
– São Paulo (SP) - Exposição "Goeldi
na BM&F - Arte em Branco e Preto". Exposição
póstuma com maior acervo já exposto para o público
- mais de 100 obras. Curadoria Lani Goeldi
2007 - São Paulo (SP) - Exposição "Oswaldo
Goeldi na Coleção de André Buck".
Exposição póstuma com 45 obras e mais
14 obras literárias ilustradas pelo artista - Curadoria
Lani Goeldi
2009 –
Rio de Janeiro (RJ) - Lançamento do Centro Virtual
Goeldi - Fase II - Academia Brasileira de Letras (ABL).
2009
- São Paulo (SP) - Exposição Caixa Cultural
São Paulo – Goeldi: Luz Noturna
2010 – Brasília (DF) - Exposição
Caixa Cultural Brasilia – Goeldi: Luz Noturna
2010
– Curitiba (PR) - Exposição Caixa Cultural
Curitiba – Goeldi: Luz Noturna
2010 – Salvador (BA) - Exposição Caixa
Cultural Salvador – Goeldi: Luz Noturna
2010 –
Rio de Janeiro (RJ) - Exposição Centro Cultural
dos Correios – Goeldi: O Encantador das Sombras -
2011 –
Londres (UK) - Exposição Embaixada Brasileira
em Londres - Oswaldo Goeldi: Cena Urbana
2011 –
Belém (PA) – exposição Museu da
Universidade Federal do Pará – Goeldi - Poesia
Gravada
BIENAIS
DE SÃO PAULO
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 6ª (1961),
10ª (1969), 11ª (1971), 15ª (1979), 18ª
(1985), 19ª (1987), 24ª (1998) e 29ª (2010)
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EXPOSIÇÃO
“OSWALDO GOELDI: POESIA GRAVADA”
Museu
da Universidade Federal do Pará (UFPA)
Avenida
Governador José Malcher, 1192 – Nazaré
– Belém – PA – entrada pela avenida
Generalíssimo Deodoro.
Curadoria:
Lani Goeldi.
Abertura
(somente para convidados e imprensa): 13 de dezembro, às
19h.
Visitação
(aberta ao público): De 14 de dezembro de 2011 a 19
de fevereiro de 2012, de terça a sexta-feira, das 9h
às 17h, sábados e domingos das 10h às
14h, exceto feriados.
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Nas
imagens urbanas criadas por Oswaldo Goeldi há uma atmosfera
de solidão profunda. Figuras humanas se perdem em ruas,
becos e praças mal iluminadas de cidades indiferentes
à presença de cada um. Há também
em suas gravuras uma atmosfera dominada pelo escuro, só
rompido pela luz branca filtrada ou por pequenas superfícies
de cor. Em seu imaginário, pescadores, peixes e o mar
protagonizam cenas que denotam uma solidão profunda.
Suas xilogravuras são emblemáticas do conflito
do ser humano e uma das melhores tradições da
arte brasileira. Os trabalhos de Goeldi estiveram presentes
na Bienal de São Paulo, em quase todas as décadas
sendo um dos mais expostos, em toda a história da mostra
paulista.
TEXTOS
CRÍTICOS:
"A
experiência européia não lhe deixou terminar
a experiência brasileira. Talvez até a perturbasse.
Ambas entraram porém na composição de
sua arte, dando universalidade humana e pungente.
Seu
olhar para as coisas vai carregado de tão intensa força
subjetiva que logo as transforma em visão. Visão
quase sempre trágica. A imagem cotidiana mais comum
- uma esquina de rua, um objeto, alguém passando -
Goeldi a transforma em misteriosa presença. O que descobre
em cada coisa é a sua substância de poesia, velada
pelo automatismo de nossa percepção habitual.
Não dispondo de tintas para a expressão pictórica
de suas criações, tem que jogar apenas com as
linhas, os valores do claro-escuro, as vibrações
do traço, e o ritmo das formas. Apenas excepcionalmente
emprega a cor nas gravuras, como no Pescador e nas ilustrações
de Cobra Norato, poema de Raul Bopp.
Abrindo
claridade nas massas de sombra e conduzindo as correntes atmosféricas
do céu, graças a milhares de traços miúdos
e riscos convergentes que sugerem as direções
do vento e da luz - ele atinge graficamente um poder de evocar
formas e ambientes que não conseguiria com a pintura.
O sensualismo e a musicalidade da cor não se ajustariam
ao seu temperamento crispado. Em compensação,
o que consegue com o claro-escuro e o traço permite-lhe
fixar certos aspectos intraduzíveis por outros meios
plásticos.
O
conteúdo principal das coisas visíveis encontra-se
no mundo invísivel de que elas são ao mesmo
tempo o sinal e a projeção incompleta. Está
atrás. Pelo menos um artista como Goeldi, habituado
a decifrar o ilegível das profundezas que as aparências
recobrem. Para ele, a arte abstrata não tem razão
de ser; é preciso criar formas novas; basta elevar
ao plano visionário as que já existem, cercando-as
de uma auréola de poesia em que perdem a opacidade
e entregam o seu mistério.
Mas
não é unicamente sob a incidência de tal
ou qual luz poética que as coisas irradiam melhor e
adquirem valor de símbolo; também pela vizinhança
que se lhes dá, pela maneira com que são dispostas
na obra de arte. Dir-se-ia que as formas procuram avistar-se
com aquelas que vivem separadas. O famoso 'encontro fortuito
na mesa de dissecação de uma máquina
de costura com um guarda-chuva' (Lautréamont) reproduz-se
indefinidamente na natureza entre objetos-personagens, distribuídos
em caprichosa formação."
Anibal
Machado
MACHADO, Aníbal. Goeldi. In: MATRIZES do expressionismo
no Brasil: Abramo, Goeldi e Segall. Texto Tadeu Chiarelli;
Aníbal Machado; Sônia Salzstein. São Paulo:
MAM, 2000. 87 p., il. color.
"Abandono
e esquecimento formam o eixo do trabalho de Goeldi; latas
derrubadas, cães vadios, móveis ao relento.
No entanto, pelo fato mesmo de não serem lembradas,
as coisas parecem aqui ainda preservadas da mesquinhez, cheias
de mistério e de potência. Aquilo que foi deixado
de lado está inteiro, pronto para ser acionado, e o
vento que bafeja essas gravuras quer acordar os homens, bichos,
lugares, chamando-os à vida. Sua afeição,
no entanto, não pode ter a solidez e clareza objetiva
de quem os esqueceu. Daí o crepúsculo contínuo
e sempre renovado desses trabalhos.
(...)
No entanto, encantamento e suspensão caracterizam também
essas gravuras e desenhos. Isso vem, creio, da intensa analogia
formal entre seus elementos. Cheios são vazios, casas
são ruas, urubus são guarda-chuvas, as janelas
nos olham. Tudo é meio assemelhado a tudo, bafejado
pelo mesmo sopro de vida, as formas ecoando discretamente
umas nas outras, como se ainda não tivesse se formado
de todo. Essa individuação incompleta faz grande
parte da originalidade de Goeldi, e permite que as distorções
expressionistas que o influenciaram abdiquem de seu desespero.
O mundo de Goeldi é um mundo em suspensão, seus
habitantes ainda despertam e se procuram, e se caminham para
a morte o fazem solidariamente. Daí a calma de sua
tristeza, onde abandono e comunhão convivem."
Nuno
Ramos
RAMOS, Nuno. Para Goeldi.São Paulo: AS Studio,1996.
p.17-18.
"A
obra de Goeldi de fato impressiona pela amplitude e profundidade
das questões que apresenta. Os homens que vagam pelas
superfícies negras de suas gravuras não têm
aonde ir, embora estejam sempre a caminho. São seres
urbanos e mantêm com a cidade um contato estreito -
partilham a sua 'cor', seu anonimato. Apenas uma estreita
faixa os separa do ambiente em que se movem. E no entanto
nada os acolhe. Curvados, eles precisam atravessar uma atmosfera
espessa, que lhes dificulta os movimentos. Não enfrentam,
porém, forças naturais. Seus pescadores, sim,
se batem com ventos fortes e águas traiçoeiras.
E esse confronto primitivo - em que as figuras humanas são,
em geral, maiores do que as cenas urbanas - a meu ver reduz
a atualidade e o drama de muitas obras de Goeldi. Já
os habitantes das cidades construíram espaços
que eles mesmos não reconhecem.(...)
A
atração de Goeldi por figuras marginais e trabalhadores
rudes adquire então um novo sentido. Bêbados,
miseráveis, pescadores e prostitutas mantêm com
a vida uma relação mais autêntica. O que
os engrandece não é só uma recusa à
lógica do lucro, com sua hipocrisia e violência.
Em sua precariedade, levam uma vida que não oculta
a fragilidade humana. Um forte moralismo marca sua visão
de mundo. Como todos os expressionistas - categoria em que
não se encaixa facilmente -, Goeldi opõe uma
altivez torturada e íntegra à adesão
irrestrita a valores corrompidos. Não parece, porém,
elevar a arte - uma sensiblidade mais genuína - à
condição de paradigma. À maneira de suas
personagens, deixa as mazelas cotidianas penetrarem seu mundo.
Suas formas instáveis, dispersas, não resultam
do confronto de uma subjetividade superior com as agruras
da vida. Revelam antes uma corrosão a que ninguém
escapa."
Rodrigo
Naves
NAVES,
Rodrigo. Goeldi. São Paulo: Cosac & Naify, 1999.
p. 7-10. (Espaço da arte brasileira).
"Enquanto
a gravura de Segall exprime a emoção, e mais
a dor que a alegria, a de Oswaldo Goeldi não a prescreve,
pois seu impulso é a 'necessidade interior', expressa
no desenho e na xilogravura, à qual se dedica mais
que às outras técnicas gráficas. É
fundamental que a necessidade interior preexista à
forma, como o informe aberto 'àquilo', à determinação
que a satisfaz. Comparando-se o processo enumerativo nas descrições
escritas e nas descrições gravadas de Goeldi,
vê-se que elas não só coincidem como contemplação
que ultrapassa as diferenças da escritura e da arte,
mas também insistem em que a cena desintensifica o
movimento físico e anímico das personagens:
é na suspensão que se revela 'aquilo'. A suspensão
inscreve, atenuante, a emoção na cena: por isso,
Goeldi não é gesticulante em suas visões,
o que não se pode dizer de muitas de suas ilustrações,
nas quais os movimentos do corpo e da alma, estando prescritos
pelo texto, predeterminam-lhe a vidência e impedem que
a noite domine, suspensiva.
Na
gravura de Goeldi, a suspensão, que ilumina solidão
e solitários, é a noite profunda e vulturina,
que nele visionam Alfred Kubin e Carlos Drummond de Andrade.
Nada sendo dito, a cena interdita gesticulação,
pois os corpos pendem, mesmo quando caminhantes. Não
havendo diferença entre figura e fundo, entre seres
e lugares, não há separação gráfica
entre cenografia e corpos, mas indissolubilidade, de sorte
que o próprio cenário se determina pelas personagens,
cruzamento que pode fazer o mudo muito significar e o muito
significante emudecer. Essa duplicidade na gravura torna o
cenário semblante, pondo-se, subitamente, o casario
a olhar, assombrando o passante noturno, anjo, bêbado,
outro, nunca individualizado, nunca retratado. Na suspensão,
surpreendem-se cenários e corpos a demonstrar que a
necessidade interior se exprime.
Embora
tenha feito algumas litografias na Europa, Goeldi começa
a xilogravuras em 1923, ilustra livros nos anos 40 e 50, produz
álbum em 1930 e, desde os anos 20, faz gravuras para
periódicos, tornando-se conhecido por esta obra de
muitos artistas e amadores. A gravura, como declara, surge
nele como necessidade de disciplina, pois entende que seu
desenho é divagante. As relações de desenho
e gravura são, aliás, intricadas: Goeldi afirma
que a gravura, por corretiva, é uma camisa-de-força
da qual o artista se liberta pelo desenho, não se identificando,
aqui, o desenho como fim em si mesmo e o desenho como instrumento,
lançado e relançado pelo artista em sua lenta
reflexão de gravador. É nesse horizonte, também,
que a cor, a um tempo paixão e obstáculo, propõe-se:
gráfica, ela nunca será estampagem."
Leon
Kossovitch e Mayra Laudanna
KOSSOVITCH
Leon; LAUDANNA, Mayra. A gravura moderna. In: GRAVURA: arte
brasileira do século XX. Apresentação
Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna,
Ricardo Resende; fotografia da capa Romulo Fialdini. São
Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p. 5.
OUTROS
TEXTOS:
A
GOELDI
De uma cidade vulturina
vieste a nós, trazendo
o ar de suas avenidas de assombro
onde vagabundos peixes esqueletos
rodopiam ou se postam em frente a casas inabitáveis
mas entupidas de tua coleção de segredos,
ó Goeldi: pesquisador da noite moral sob a noite física.
Ainda não desembarcaste de todo
e não desembarcarás nunca.
Exílio e memória porejam das madeiras
em que inflexivelmente penetras para extrair
o vitríolo das criaturas
condenadas ao mundo.
És metade sombra ou todo sombra?
Tuas relações com a luz como se tecem?
Amarias talvez, preto no preto,
fixar um novo sol, noturno; e denuncias
as diferentes espécies de treva
em que os objetos se elaboram:
a treva do entardecer e a da manhã;
a erosão do tempo no silêncio;
a irrealidade do real.
Estás sempre inspecionando
as nuvens e a direção dos ciclones,
Céu nublado, chuva incessante, atmosfera de chumbo
são elementos do teu reino
onde a morte de guarda-chuva
comanda
Poças de solidão, entre urubus.
Tão solitário, Goeldi! mas pressinto
no glauco reflexo furtivo
que lambe a canoa de teu pescador
e na tarja sanguínea a irromper, escândalo, de
teus negrumes
uma dádiva de ti à vida.
Não sinistra,
mas violenta
e meiga
destas cores compõe-se a rosa em teu louvor.
Carlos
Drummond de Andrade
ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummond de Andrade:poesia
e prosa. Introdução Afrânio Coutinho.
8.ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 278-27
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