swaldo Goeldi

Oswaldo Goeldi - Biografia

Gravador, desenhista, ilustrador e professor, Oswaldo Goeldi nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1895. Logo após seu nascimento e até os seis anos de idade, Goeldi morou em Belém (PA) com seus pais, Adelina Meyer Goeldi e Emilio Augusto Goeldi. Seu pai, renomado zoólogo e naturalista suiço, deu nome a uma das mais importantes instituições de Belém, da qual foi diretor: o Museu Paraense Emílio Goeldi, sempre voltado à pesquisa e vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil que, desde sua fundação, em 1866, concentra suas atividades no estudo científico dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia.

Oswaldo Goeldi viveu na Suíça até o falecimento de seu pai. Depois disso, abandonou o curso na Escola Politécnica para se matricular na École des Art et Métiers. Decepcionado com a escola, passou a ter aulas com Serge Pahnke e Henri Van Muyden. Em 1917 realizou sua primeira exposição individual em Berna (Suíça), quando conheceu a obra do austríaco Alfred Kubin, seu mentor artístico.

Na mesma época tornou-se amigo de Hermann Kümmerly, com quem fez suas primeiras litografias. De volta ao Brasil, em 1919, executou trabalhos como ilustrador. Dois anos depois, ao expor no saguão do Liceu de Artes e Ofícios, aproximou-se de pessoas interessadas na renovação da arte, como a Semana de 1922. A partir de 1923, dedicou-se intensamente à xilogravura que conheceu com Ricardo Bampi.

Fez trabalhos para revistas, livros e periódicos. Em 1930, lançou o álbum "Dez Gravuras em Madeira", prefaciado por Manuel Bandeira e cuja venda permitiu seu retorno à Europa, onde expôs novamente em Berna e em Berlim. Por volta de 1932, retornou ao Brasil e começou a experimentar o uso da cor em xilogravuras. Consolidado como ilustrador, expôs na 25ª Bienal de Veneza em 1950. Ganhou o Prêmio de Gravura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951.

Sua carreira como professor começou em 1952 e, após três anos, passou a ensinar xilogravura na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Em 1956, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, foi realizada sua primeira retrospectiva. Sua obra já participou de mais de uma centena de exposições póstumas no Brasil, Argentina, França, Portugal, Suíça e Espanha. Hoje, Goeldi é venerado no meio artístico e suas obras são matérias de referência no campo da gravura no mundo todo.

CRONOLOGIA

31/10/1895 - Oswaldo Goeldi nasce no Rio de Janeiro;
1896 - Segue para Belém do Pará;
1901 - Vai para a Suíça;
1915 - Ingressa na Politécnica de Zurique e começa a desenhar;
1917 - Abandona a Politécnica e entra para École des Arts et Metiers" em Genebra;
1919 - Regressa ao Brasil;
1921 – Expõe no Liceu de Artes e Ofícios no Rio de Janeiro;
1924 - Faz ilustrações para “O Malho" e "Para Todos". Inicia seus estudos da gravura com Ricardo Bampi;
1926 - Envia alguns de seus trabalhos para Alfred Kubin que o aconselha a expor na Europa;
1928 - Faz ilustrações para "Canaã" de Graça Aranha;
1929 - Faz ilustrações para "O Manque" de Benjamim Costallat;
1930 - Faz um álbum com 10 gravuras prefaciadas por Manuel Bandeira, viaja para a Europa e expõe na Galeria Kunst-Klipstein, em Berna, e na Galeria Werthein, em Berlim;
1930/1931 - Viaja para Zurique, Berna e Berlim onde participa de exposições ao lado de Matisse, Utrillo, Waroquier e Leo Long. Expõe também no Atelier de Kummerly, em Mury, na Suiça;
1937 - Ilustra o livro Cobra Nonato" de Raul Bopp e inicia com a cor na gravura;
1938 - Expõe em Belém (PA), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ), com mostra organizada por Di Cavalcanti, Aníbal Machado e Santa Rosa;
1941 - Ilustra o suplemento literário “Autores & Livros” - publicação do Jornal da Manhã, para os "Humilhados e Ofendidos" de Dostoievski" e inicia uma série de desenhos sobre a guerra "As luzes se apagam, agitam-se os monstros”;
1943 - Ilustra para "Ressurreição da Casa dos Mortos" de Dostoievski e para "Carlinhos" de Villegas Lopes;
1944 - Faz uma série de gravuras com o título "Balada da Morte" (Revista Clima-SP) e para "O Idiota" de Dostoievski. Participa da exposição de Arte Moderna pela Prefeitura de Belo Horizonte. Expõe individualmente no Instituto de Arquitetos do Brasil;
1945 - Faz ilustração para "Martin Cererê" de Cassiano Ricardo e para "Letras e Artes" no suplemento dominical "A Manhã";
1949 - Faz ilustração para "Cheiro de Terra" de Caio de Mello Franco;
1950 - Participa da representação brasileira na Bienal em Veneza, Salão de Belas Artes na Bahia e Mostra de Arte Brasileira em Roma;
1951 - Participa da 1ª Bienal de São Paulo. Ganha o Prêmio da Gravura Nacional. Expõe na galeria Domus (SP);
1952 - Começa a ensinar na escolinha de Arte de Augusto Rodrigues (RJ). Expõe na Galeria Tenreiro (RJ);
1953 - Participa da 2ª Bienal de São Paulo. Vai para Montevidéu a convite do Instituto Uruguaio Brasileiro e realiza curso sobre gravura. Ilustra para "Memórias do Subsolo" de Dostoievski. Realiza curso sobre gravura;
1954 - Expõe em Runstmuseum, em Berna, e na Galeria Oxumaré, na Bahia;
1955 - Começa a lecionar na ENBA. Publica o álbum "Goeldi" com apresentação de Aníbal Machado. Participa da 3ª Bienal de São Paulo e recebe homenagem do Grupo de Estudos Mário de Andrade (Pen Club do Brasil);
1956 - Participa da III Internacional Austellung von Holzschwitte, em Zurique. Participa de exposição no MAM de São Paulo e da retrospectiva no MAM no Rio de Janeiro;
1957 - Participa de exposição promovida pelo Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro;
1958 - Participa de exposições em Veneza, Buenos Aires e na Galeria GEA no Rio de Janeiro;
1959 - Ilustra "Lições de Abismo" de Gustavo Corsao. Participa de exposições em galerias do Rio de Janeiro e São Paulo;
1960 - Ilustra "Mar Morto" de Jorge Amado e ganha o primeiro prêmio internacional de gravura da II Bienal Americana do México. Expõe na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro;
16/02/1961 - Oswaldo Goeldi morre no Rio de Janeiro.

FORMAÇÃO


1914 - Zurique (Suíça) - Ingressa na Escola Politécnica.

1917 - Genebra (Suíça) - Com a morte do pai, abandona a Escola Politécnica e matricula-se na École des Arts et Métiers. Conhece a obra do desenhista austríaco Alfred Kubin, com o qual mantém correspondência de 1926 a 1952. Freqüenta os ateliês de Serge Pahnke e Henri Van Muyden

1934 - Niterói (RJ) - No ateliê de Ricardo Bampi, artista brasileiro educado na Alemanha, aprende técnicas da xilogravura.

VIAGENS

1922 - Europa - Retorna, a pedido da poetisa Beatrix Reynal e de um grupo de intelectuais.

1930 - Berna (Suíça) - Viaja com o dinheiro obtido na venda do álbum “10 Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi”

1931 - Arles (França) e Muri (Suíça) - Visita o sul da França e a região de Arles. Deixa matrizes e desenhos com Hermann Kümmerly, em Muri.

1941 - Bahia - Viaja para se resguardar da perseguição às pessoas com ascendência germânica, por ocasião da 2ª Guerra Mundial.

1953 - Montevidéu (Uruguai) - Viaja a convite do Instituto Uruguaio-Brasileiro


ATIVIDADES EM ARTES

Gravador, desenhista, ilustrador, professor

1917 - Berna (Suíça) - Torna-se amigo do artista suíço Hermann Kümmerly e faz litografias no seu ateliê.

1919 - Rio de Janeiro (RJ) - Inicia trabalho como ilustrador na revista “Para Todos”, de Álvaro Moreyra.

1922 - Rio de Janeiro (RJ) - Instala-se em ateliê preparado pela poetisa Beatrix Reynala.

1924 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o periódico “O Malho”, de Álvaro Moreyra.

1928 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Canaã”, de Graça Aranha, que não chega a ser publicado.

1929 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “O Mangue”, de Benjamin Costallot, que não chega a ser publicado.

1930 - Rio de Janeiro (RJ) - Publica, por intermédio das Oficinas Gráficas de Paulo Pongetti & Cia., o álbum “Dez Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi”, prefaciado por Manuel Bandeira.

1932 - Envia a Kümmerly o resultado da sua primeira experiência cromática, a gravura “Baianas”, impressa em amarelo e vermelho

1937 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Cobra Norato”, de Raul Bopp, com xilogravuras coloridas, em edição semi-artesanal, com tiragem de 150 exemplares.

1937 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o álbum “André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado”, poema de Cassiano Ricardo.

1941 - Rio de Janeiro (RJ) - Começa a trabalhar na ilustração das “Obras Completas de Dostoievski”, publicadas pela Editora José Olympio.

1941 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o suplemento dominical do jornal “A Manhã”, no caderno Autores e Livros.

1941 - Rio de Janeiro (RJ) - Realiza a série de desenhos sobre a guerra “As luzes se apagam, agitam-se os monstros”

1941 - Rio de Janeiro (RJ) - É publicado, com ilustrações suas, o romance de Dostoievski “Humilhados e Ofendidos”, pela Livraria José Olympio Editora.

1942 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o livro “Aux Rives de Notre Ocean”, de Jacques Perroy Cuers, ao lado de Henrique Cavalheiro e J.C. Chabloz, entre outros, editado pela Livraria Geral Franco-Brasileira.

1944 - São Paulo (SP) - A revista “Clima” publica a série de xilogravuras “Balada da Morte”

1944 - Rio de Janeiro (RJ) - Faz ilustrações para “Memórias do Subsolo”, incluído na primeira edição do volume “O Eterno Marido”, de Dostoievski, publicação da Editora José Olympio, e para o livro “Fascinação da Amazônia”, de Ester Leão da Cunha, da Editora Irmãos Pongetti & Cia.

1944 - Rio de Janeiro (RJ) - Grava as imagens de “Carlitos, a vida, a obra e a arte do gênio do cine”, de Manuel Villegas Lopes, publicado pela Editora Leitura.

1945 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o romance “Recordações da Casa dos Mortos”, de Dostoievski, e “Martim Cererê, o Brasil dos Meninos, dos Poetas e dos Heróis”, de Cassiano Ricardo, em edição da empresa “A Noite”.

1945 - Rio de Janeiro (RJ) - Realiza ilustração para “Letras e Artes”, no suplemento dominical “A Manhã”.

1946 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Frô-de-Pena”, versos caipiras de Jacy G. Ricardo, em edição da empresa “A Noite”.

1949 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra “Cheiro da Terra”, de Caio de Mello Franco, publicado pela Editora Gráfica das Artes, e “O Idiota”, de Dostoievski, com desenhos a bico-de-pena.

1950 - Rio de Janeiro (RJ) - Faz ilustrações para o livro “O Homem de Duas Cabeças”, de Oswaldo de Almeida Fischer, das Edições Oásis, e para “Cogumelos – Contos”, de Breno Acióli, da empresa “A Noite”.

1951 - Rio de Janeiro (RJ) - Passa a ser membro do júri do Salão Nacional de Belas Artes, na categoria de desenho e artes gráficas.

1951 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra com xilogravuras o livro “Minha Primeira Comunhão”, de Maria Pacheco Chaves, Editora Agir.

1952 / 1953 - Rio de Janeiro (RJ) - Leciona xilogravura na Escolinha de Arte do Brasil.

1955 - Rio de Janeiro (RJ) - Torna-se professor da ENBA, onde abre oficina de xilogravura.

1951 / 1955 - Rio de Janeiro (RJ) - É membro do júri do Salão Nacional de Belas Artes, Divisão Moderna, nas categorias desenho e artes gráficas.

1959 - Rio de Janeiro (RJ) - Grava as ilustrações de “Lições do Abismo”, de Gustavo Corção, para a Livraria Agir.

1960 - Rio de Janeiro (RJ) - Ilustra o livro “Mar Morto”, de Jorge Amado, editado em 1967 pela Martins Fontes.

1960 - Rio de Janeiro (RJ) - Convidado pelo Clube dos Cem Bibliófilos, inicia a gravação das ilustrações para “Poranduba Amazonenses”, texto de Barbosa Rodrigues. O trabalho é finalizado por Darel Valença Lins.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS


1917 - Berna (Suíça) - Individual, na Galeria Wyss

1921 - Rio de Janeiro (RJ) - Individual, no Liceu de Artes e Ofícios

1930 - Berna (Suíça) - Individual, na Galeria Gutekunst & Klipstein

1938 - Belém (PA) - Individual, na Biblioteca do Arquivo Público

1951 - São Paulo (SP) - Individual, na Galeria Domus

1952 - Paris (França) - Individual, na Association Artistique et Litteraire

1952 - Rio de Janeiro (RJ) - Individual, na Galeria Langenbach & Tenreiro

1952 - Santiago (Chile) - Individual, no Museo de Arte Moderno

1954 - Salvador (BA) - Individual, na Galeria Oxumaré

1956 - São Paulo (SP) - Individual, no MAM-SP

1956 - Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi: retrospectiva, no MAM-RJ

1958 - Rio de Janeiro (RJ) - Individual, na Galeria G.E.A.

1959 - São Paulo (SP) - Individual, na Galeria Langebach & Tenreiro

1959 - Rio de Janeiro (RJ) - Individual, na Piccola Galeria - Instituto Italiano de Cultura


EXPOSIÇÕES COLETIVAS


1930 - Berlim (Alemanha) - Coletiva, na Galeria Werthein

1930 - Muri (Suíça) - Coletiva, no ateliê de Hermann Kümmerly

1933 - Rio de Janeiro (RJ) - 3º Salão da Pró-Arte, na ENBA

1935 - Rio de Janeiro (RJ) - Exposição de Arte Social, no Clube de Cultura Moderna do Rio de Janeiro

1938 - Rio de Janeiro (RJ) - Coletiva organizada por Di Cavalcanti, Aníbal Machado e Santa Rosa

1944 - Londres e Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts e no Castle Museum

1944 - Belo Horizonte (MG) - Exposição de Arte Moderna, no MAP

1945 - Edimburgo e Glasgow (Escócia) e Baht, Bristol e Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery of Scotland, Kelingrove Art Gallery, Victory Art Gallery, Bristol Museum Art Gallery e Manchester Art Gallery

1950 - Veneza (Itália) - 25ª Bienal de Veneza

1950 - Salvador (BA) - 2º Salão de Belas Artes da Bahia - medalha de ouro

1950 - Roma (Itália) - Arte Moderna Brasileira, na Galleria D'Arte della Casa Del Brasil

1950 - Tchecoslováquia (atual República Tcheca) - Bienal de Gravura

1950 - Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, organizada pela International Business Corporation

1951 - São Paulo (SP) - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no MAM-SP - primeiro prêmio gravura nacional

1952 - Veneza (Itália) - 26ª Bienal de Veneza

1952 - Tóquio (Japão) - Bienal de Xilogravura

1952 - Rio de Janeiro (RJ) - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM-RJ

1953 - São Paulo (SP) - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no MAM-SP

1953 - Montevidéu (Uruguai) - Coletiva, no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro

1954 - Zurique (Suíça) - Arte Brasileira, Arquitetura Brasileira Moderna e Novos Gráficos Brasileiros, no Kunstgewerbemuseum

1954 - São Paulo (SP) - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM-SP
1954 - Berna (Suíça) - Graveurs Brésiliens, no Museu de Belas Artes

1954 - Rio de Janeiro (RJ) - Salão Preto e Branco, no Palácio da Cultura

1955 - São Paulo (SP) - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no MAM-SP - artista convidado

1956 - Veneza (Itália) - 28ª Bienal de Veneza

1957 - Buenos Aires e Rosário (Argentina), Lima (Peru) e Santiago (Chile) - Arte Moderno en Brasil, no Museo Nacional
de Bellas Artes, no Museo Municipal de Bellas Artes Juan B. Castagnino, no Museo de Arte e no Museo de Arte Contemporáneo

1957 - Montevidéu (Uruguai) - Grabado Brasileño, no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro

1958 - Veneza (Itália) - 29ª Bienal de Veneza

1958 - Lugano (Itália)- 5ª Exposizione Internazionale de Bianco e Nero

1959 - Rio de Janeiro (RJ) - 30 Anos de Arte Brasileira, na ENBA

1959 - Munique (Alemanha) - Arte Moderna Brasileira na Europa, na Casa do Artista

1959 - Viena (Suíça) - Gravura do Brasil, no Museu Albertina

1960 - Cidade do México (México) - 2ª Bienal Interamericana do México, no Palácio de Belas Artes - 1º prêmio internacional de gravura

1960 - São Paulo (SP) - Coleção Leirner, na Galeria de Arte da Folha

1960 - Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi e Grassmann, na Galeria Bonino

HOMENAGENS / TÍTULOS / PRÊMIOS

1920 / 1921 - A primeira individual, no Liceu de Artes e Ofícios, é elogiada pelos escritores Álvaro Moreyra, Manuel Bandeira, Aníbal Machado, Ronald de Carvalho, Rachel de Queiroz, Olegário Mariano, Otto Maria Carpeaux e pelo pintor
Di Cavalcanti

1955 - Rio de Janeiro (RJ) - O MEC edita o álbum “Goeldi”, prefaciado por Aníbal Machado

1955 - É homenageado por intelectuais e artistas, por iniciativa de Mário Barata, do Grupo de Estudos Mário de Andrade
e pelo Pen Clube do Brasil, por sua contribuição à gravura brasileira

1967 - Carlos Frederico produz o curta-metragem “Noturno de Goeldi”, com direção e roteiro de sua autoria e texto de Carlos Drummond de Andrade

1996 - São Paulo (SP) - Nuno Ramos realiza a exposição individual “Para Goeldi”, no A5 Studio

EVENTOS PÓSTUMOS

1961 - São Paulo (SP) - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no MAM-SP

1961 - Rio de Janeiro (RJ) - 1º O Rosto e a Obra, na Galeria Ibeu Copacabana

1962 - São Paulo (SP) - Marcelo Grassmann, Eduardo Sued, Oswaldo Goeldi e Darel, na Galeria Residência

1962 - Buenos Aires (Argentina) - Individual, no Museo Nacional de Bellas Artes

1966 - Rio de Janeiro (RJ) - Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

1966 - Salvador (BA) - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas

1969 - São Paulo (SP) - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1971 - São Paulo (SP) - 11ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1972 - São Paulo (SP) - A Semana de 22: antecedentes e conseqüências, no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

1974 - Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi-Grassmann-Messias, na Bolsa de Arte

1975 - São Paulo (SP) - O Modernismo de 1917 a 1930, no Museu Lasar Segall

1976 - São Paulo (SP) - Os Salões: da Família Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas Plásticos de São
Paulo, no Museu Lasar Segall

1978 - Rio de Janeiro (RJ) - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas - Três Mestres da Gravura do Brasil, no Palácio da Cultura

1979 - São Paulo (SP) - 15ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1980 - Rio de Janeiro (RJ) - Homenagem a Mário Pedrosa, na Galeria Jean Boghici

1982 - São Paulo (SP) - Do Modernismo à Bienal, no MAM-SP

1982 - São Paulo (SP) - Seis Gravadores Expressionistas do Brasil: Segall, Goeldi, Abramo, Renina, Poty, Grassmann, no Museu Lasar Segall

1983 - Olinda (PE) - 2ª Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas, no Museu de Arte Contemporânea (MAC-PE)

1983 - São Paulo (SP) - Oswaldo Goeldi, na Grifo Galeria de Arte

1984 - Curitiba PR - 6ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, na Fundação Cultural

1984 - Rio de Janeiro (RJ) - A Xilogravura na História da Arte Brasileira, na Fundação Nacional de Arte. Centro de Artes

1984 - São Paulo (SP) - Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e auto-retrato da arte brasileira, no MAM-SP

1984 - Ribeirão Preto (SP) - Gravadores Brasileiros - Anos 50 / 60, na Galeria Campus – Universidade de São Paulo (USP) - Banespa

1984 - Porto Alegre (RS) - Gravuras: uma trajetória no tempo, no Cambona Centro de Arte

1984 - São Paulo (SP) - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - São Paulo (SP) - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1985 - Porto Alegre (RS) - Iberê Camargo: trajetória e encontros, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).

1985 - Rio de Janeiro (RJ) - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM-RJ

1986 - Brasília (DF), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) - Iberê Camargo: trajetória e encontros, no Teatro Nacional, no Masp e no MAM-RJ

1987 - São Paulo (SP) - 19ª Bienal Internacional de São Paulo - Imaginários Singulares, na Fundação Bienal

1987 - São Paulo (SP) - As Bienais no Acervo do MAC: 1951 a 1985, no MAC-USP

1987 - Rio de Janeiro (RJ) - Ao Colecionador: homenagem a Gilberto Chateaubriand, no MAM-RJ

1987 - Paris (França) - Modernidade: arte brasileira do século XX, no Musée d'Arte Moderne de la Ville de Paris

1987 - São Paulo (SP) - 18º Panorama de Arte Atual Brasileira: arte sobre papel, no MAM-SP

1987 - São Paulo (SP) - Modernidade: arte brasileira do século XX, no MAM-SP

1988 - Curitiba (PR) - 8ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, na Fundação Cultural

1988 - São Paulo (SP) - Brasiliana: o homem e a terra, na FESP

1988 - Lisboa (Portugal) - Pioneiros e Discípulos, na Fundação Calouste Gulbenkian. Centro Cultural Calouste Gulbenkian

1989 - Rio de Janeiro (RJ) - Gravura Brasileira: 4 temas, na Escola de Artes Visuais (EAV-Parque Lage)

1990 - São Paulo (SP) - A Coleção de Arte do Município de São Paulo, no Masp

1991 - São Paulo (SP) - A Mata, no MAC-USP

1991 - São Paulo (SP) - Homem e Natureza, no MAC-USP

1992 - Zurique (Suíça) - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, no Kunsthaus

1992 - Rio de Janeiro (RJ) - Gravura de Arte no Brasil: proposta para um mapeamento, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

1993 - Rio de Janeiro (RJ) - Brasil 100 Anos de Arte Moderna, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA)

1993 - Poços de Caldas (MG) - Coleção Mário de Andrade: o modernismo em 50 obras sobre papel, na Casa de Cultura de Poços de Caldas

1993 - São Paulo (SP) - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi

1993 - João Pessoa (PB) - Xilogravura: do cordel à galeria, na Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc)

1994 - São Paulo (SP) - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

1994 - Poços de Caldas (MG) - Coleção Unibanco: exposição comemorativa dos 70 anos do Unibanco, na Casa de Cultura de Poços de Caldas

1994 - Rio de Janeiro (RJ) - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM- RJ

1994 - São Paulo (SP) - Poética da Resistência: aspectos da gravura brasileira, na Galeria de Arte do Sesi

1994 - Rio de Janeiro (RJ) - Trincheiras: arte e política no Brasil, no MAM-RJ

1994 - São Paulo (SP) - Xilogravura: do cordel à galeria, em estações do Metrô e no Masp

1995 -Rio de Janeiro (RJ) - Coleção Unibanco: exposição comemorativa dos 70 anos do Unibanco, no MAM-RJ

1995 - São Paulo (SP) - Goeldi: nosso tempo, no Museu de Arte Brasileira (MAB-Faap)

1995 - São Paulo (SP) - Goeldi: seu tempo, no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP)

1995 - Belo Horizonte (MG) - Imagem Derivada: um olhar acerca do desdobramento da gravura hoje, no Museu de Arte da Pampulha (MAP)

1995 - Rio de Janeiro (RJ) - Oswaldo Goeldi: um auto-retrato, no CCBB

1996 - São Paulo (SP) - Ex Libris / Home Page, no Paço das Artes

1996 - São Paulo (SP) - Oswaldo Goeldi, Mestre Visionário, na Galeria de Arte do Sesi

1998 - São Paulo (SP) - Impressões: a arte da gravura brasileira, no Espaço Cultural Banespa

1998 - São Paulo (SP) - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM-RJ, no Masp

1998 - São Paulo (SP) - Os Colecionadores - Guita e José Mindlin: matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi

1999 - Rio de Janeiro (RJ) - Goeldi: gravuras, matrizes e desenhos, na Casa França - Brasil

1999 - Rio de Janeiro e Niterói (RJ) - Mostra Rio Gravura: Oswaldo Goeldi, no Espaço Cultural dos Correios, Gravura Moderna Brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes, no MNBA, Literatura Brasileira e Gravura, na ABL, e Acervo Banerj, no Museu do Ingá

1999 - São Paulo (SP) - Oswaldo Goeldi, na Galeria Thomas Cohn

2000 - São Paulo (SP) - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Arte Moderna, na Fundação Bienal

2000 - Brasília (DF) - Exposição Brasil Europa: encontros no século XX, no Conjunto Cultural da Caixa

2000 - Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) - Matrizes do Expressionismo Alemão no Brasil: Abramo, Goeldi e Segall, no Paço Imperial e no MAM-SP

2000 - Curitiba (PR) - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma

2000 - São Paulo (SP) - O Papel da Arte, na Galeria de Arte do Sesi

2000 - Rio de Janeiro (RJ) - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial

2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian. Centro Cultural Calouste Gulbenkian

2000 - Lançamento da Obra "De mãos dadas com o passado", em comemoração aos 500 anos do Brasil - de autoria de Lani Goeldi, onde retrata a saga da Família Goeldi.

2000 - Exposição em Basel (Suíça), em comemoração aos 500 anos do Brasil.

2000 - São Paulo (SP) - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural

2000 - São Paulo (SP) - Vídeo Gravura e Gravadores, documentário dirigido por Olívio Tavares de Araújo, com depoimentos do artista e outros gravadores; produção Itaú Cultural

2001 - Penápolis (SP) e Brasília (DF) - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural

2001 - São Paulo (SP) - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural

2001 - Belém (PA) - Inauguração do Espaço Arte Goeldi, nas dependências do Museu Paraense Emilio Goeldi - Parque Zoobotânico - com exposição póstuma de painéis com obras do artista sob a curadoria de Lani Goeldi.

2004 - Fundação da Associação Artística Cultural Oswaldo Goeldi - www.oswaldogoeldi.com.br

2005 - Criação do Centro Virtual de Documentação e Referência Oswaldo Goeldi - exposição póstuma com 40 obras do artista - Curadoria Noemi Ribeiro.

2006 – Instituído o Projeto Goeldi pela Associação Artística Cultural Oswaldo Goeldi – Presidencia: Lani Goeldi - www.oswaldogoeldi.org.br

2007 – São Paulo (SP) - Exposição "Goeldi na BM&F - Arte em Branco e Preto". Exposição póstuma com maior acervo já exposto para o público - mais de 100 obras. Curadoria Lani Goeldi

2007 - São Paulo (SP) - Exposição "Oswaldo Goeldi na Coleção de André Buck". Exposição póstuma com 45 obras e mais 14 obras literárias ilustradas pelo artista - Curadoria Lani Goeldi

2009 – Rio de Janeiro (RJ) - Lançamento do Centro Virtual Goeldi - Fase II - Academia Brasileira de Letras (ABL).

2009 - São Paulo (SP) - Exposição Caixa Cultural São Paulo – Goeldi: Luz Noturna

2010 – Brasília (DF) - Exposição Caixa Cultural Brasilia – Goeldi: Luz Noturna

2010 – Curitiba (PR) - Exposição Caixa Cultural Curitiba – Goeldi: Luz Noturna

2010 – Salvador (BA) - Exposição Caixa Cultural Salvador – Goeldi: Luz Noturna

2010 – Rio de Janeiro (RJ) - Exposição Centro Cultural dos Correios – Goeldi: O Encantador das Sombras -

2011 – Londres (UK) - Exposição Embaixada Brasileira em Londres - Oswaldo Goeldi: Cena Urbana

2011 – Belém (PA) – exposição Museu da Universidade Federal do Pará – Goeldi - Poesia Gravada

BIENAIS DE SÃO PAULO


1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 6ª (1961), 10ª (1969), 11ª (1971), 15ª (1979), 18ª (1985), 19ª (1987), 24ª (1998) e 29ª (2010)

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EXPOSIÇÃO “OSWALDO GOELDI: POESIA GRAVADA”

Museu da Universidade Federal do Pará (UFPA)

Avenida Governador José Malcher, 1192 – Nazaré – Belém – PA – entrada pela avenida Generalíssimo Deodoro.

Curadoria: Lani Goeldi.

Abertura (somente para convidados e imprensa): 13 de dezembro, às 19h.

Visitação (aberta ao público): De 14 de dezembro de 2011 a 19 de fevereiro de 2012, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, sábados e domingos das 10h às 14h, exceto feriados.

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Nas imagens urbanas criadas por Oswaldo Goeldi há uma atmosfera de solidão profunda. Figuras humanas se perdem em ruas, becos e praças mal iluminadas de cidades indiferentes à presença de cada um. Há também em suas gravuras uma atmosfera dominada pelo escuro, só rompido pela luz branca filtrada ou por pequenas superfícies de cor. Em seu imaginário, pescadores, peixes e o mar protagonizam cenas que denotam uma solidão profunda. Suas xilogravuras são emblemáticas do conflito do ser humano e uma das melhores tradições da arte brasileira. Os trabalhos de Goeldi estiveram presentes na Bienal de São Paulo, em quase todas as décadas sendo um dos mais expostos, em toda a história da mostra paulista.

TEXTOS CRÍTICOS:

"A experiência européia não lhe deixou terminar a experiência brasileira. Talvez até a perturbasse. Ambas entraram porém na composição de sua arte, dando universalidade humana e pungente.

Seu olhar para as coisas vai carregado de tão intensa força subjetiva que logo as transforma em visão. Visão quase sempre trágica. A imagem cotidiana mais comum - uma esquina de rua, um objeto, alguém passando - Goeldi a transforma em misteriosa presença. O que descobre em cada coisa é a sua substância de poesia, velada pelo automatismo de nossa percepção habitual. Não dispondo de tintas para a expressão pictórica de suas criações, tem que jogar apenas com as linhas, os valores do claro-escuro, as vibrações do traço, e o ritmo das formas. Apenas excepcionalmente emprega a cor nas gravuras, como no Pescador e nas ilustrações de Cobra Norato, poema de Raul Bopp.

Abrindo claridade nas massas de sombra e conduzindo as correntes atmosféricas do céu, graças a milhares de traços miúdos e riscos convergentes que sugerem as direções do vento e da luz - ele atinge graficamente um poder de evocar formas e ambientes que não conseguiria com a pintura. O sensualismo e a musicalidade da cor não se ajustariam ao seu temperamento crispado. Em compensação, o que consegue com o claro-escuro e o traço permite-lhe fixar certos aspectos intraduzíveis por outros meios plásticos.

O conteúdo principal das coisas visíveis encontra-se no mundo invísivel de que elas são ao mesmo tempo o sinal e a projeção incompleta. Está atrás. Pelo menos um artista como Goeldi, habituado a decifrar o ilegível das profundezas que as aparências recobrem. Para ele, a arte abstrata não tem razão de ser; é preciso criar formas novas; basta elevar ao plano visionário as que já existem, cercando-as de uma auréola de poesia em que perdem a opacidade e entregam o seu mistério.

Mas não é unicamente sob a incidência de tal ou qual luz poética que as coisas irradiam melhor e adquirem valor de símbolo; também pela vizinhança que se lhes dá, pela maneira com que são dispostas na obra de arte. Dir-se-ia que as formas procuram avistar-se com aquelas que vivem separadas. O famoso 'encontro fortuito na mesa de dissecação de uma máquina de costura com um guarda-chuva' (Lautréamont) reproduz-se indefinidamente na natureza entre objetos-personagens, distribuídos em caprichosa formação."

Anibal Machado
MACHADO, Aníbal. Goeldi. In: MATRIZES do expressionismo no Brasil: Abramo, Goeldi e Segall. Texto Tadeu Chiarelli; Aníbal Machado; Sônia Salzstein. São Paulo: MAM, 2000. 87 p., il. color.

"Abandono e esquecimento formam o eixo do trabalho de Goeldi; latas derrubadas, cães vadios, móveis ao relento. No entanto, pelo fato mesmo de não serem lembradas, as coisas parecem aqui ainda preservadas da mesquinhez, cheias de mistério e de potência. Aquilo que foi deixado de lado está inteiro, pronto para ser acionado, e o vento que bafeja essas gravuras quer acordar os homens, bichos, lugares, chamando-os à vida. Sua afeição, no entanto, não pode ter a solidez e clareza objetiva de quem os esqueceu. Daí o crepúsculo contínuo e sempre renovado desses trabalhos.

(...) No entanto, encantamento e suspensão caracterizam também essas gravuras e desenhos. Isso vem, creio, da intensa analogia formal entre seus elementos. Cheios são vazios, casas são ruas, urubus são guarda-chuvas, as janelas nos olham. Tudo é meio assemelhado a tudo, bafejado pelo mesmo sopro de vida, as formas ecoando discretamente umas nas outras, como se ainda não tivesse se formado de todo. Essa individuação incompleta faz grande parte da originalidade de Goeldi, e permite que as distorções expressionistas que o influenciaram abdiquem de seu desespero. O mundo de Goeldi é um mundo em suspensão, seus habitantes ainda despertam e se procuram, e se caminham para a morte o fazem solidariamente. Daí a calma de sua tristeza, onde abandono e comunhão convivem."

Nuno Ramos
RAMOS, Nuno. Para Goeldi.São Paulo: AS Studio,1996. p.17-18.

"A obra de Goeldi de fato impressiona pela amplitude e profundidade das questões que apresenta. Os homens que vagam pelas superfícies negras de suas gravuras não têm aonde ir, embora estejam sempre a caminho. São seres urbanos e mantêm com a cidade um contato estreito - partilham a sua 'cor', seu anonimato. Apenas uma estreita faixa os separa do ambiente em que se movem. E no entanto nada os acolhe. Curvados, eles precisam atravessar uma atmosfera espessa, que lhes dificulta os movimentos. Não enfrentam, porém, forças naturais. Seus pescadores, sim, se batem com ventos fortes e águas traiçoeiras. E esse confronto primitivo - em que as figuras humanas são, em geral, maiores do que as cenas urbanas - a meu ver reduz a atualidade e o drama de muitas obras de Goeldi. Já os habitantes das cidades construíram espaços que eles mesmos não reconhecem.(...)

A atração de Goeldi por figuras marginais e trabalhadores rudes adquire então um novo sentido. Bêbados, miseráveis, pescadores e prostitutas mantêm com a vida uma relação mais autêntica. O que os engrandece não é só uma recusa à lógica do lucro, com sua hipocrisia e violência. Em sua precariedade, levam uma vida que não oculta a fragilidade humana. Um forte moralismo marca sua visão de mundo. Como todos os expressionistas - categoria em que não se encaixa facilmente -, Goeldi opõe uma altivez torturada e íntegra à adesão irrestrita a valores corrompidos. Não parece, porém, elevar a arte - uma sensiblidade mais genuína - à condição de paradigma. À maneira de suas personagens, deixa as mazelas cotidianas penetrarem seu mundo. Suas formas instáveis, dispersas, não resultam do confronto de uma subjetividade superior com as agruras da vida. Revelam antes uma corrosão a que ninguém escapa."

Rodrigo Naves

NAVES, Rodrigo. Goeldi. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. p. 7-10. (Espaço da arte brasileira).

"Enquanto a gravura de Segall exprime a emoção, e mais a dor que a alegria, a de Oswaldo Goeldi não a prescreve, pois seu impulso é a 'necessidade interior', expressa no desenho e na xilogravura, à qual se dedica mais que às outras técnicas gráficas. É fundamental que a necessidade interior preexista à forma, como o informe aberto 'àquilo', à determinação que a satisfaz. Comparando-se o processo enumerativo nas descrições escritas e nas descrições gravadas de Goeldi, vê-se que elas não só coincidem como contemplação que ultrapassa as diferenças da escritura e da arte, mas também insistem em que a cena desintensifica o movimento físico e anímico das personagens: é na suspensão que se revela 'aquilo'. A suspensão inscreve, atenuante, a emoção na cena: por isso, Goeldi não é gesticulante em suas visões, o que não se pode dizer de muitas de suas ilustrações, nas quais os movimentos do corpo e da alma, estando prescritos pelo texto, predeterminam-lhe a vidência e impedem que a noite domine, suspensiva.

Na gravura de Goeldi, a suspensão, que ilumina solidão e solitários, é a noite profunda e vulturina, que nele visionam Alfred Kubin e Carlos Drummond de Andrade. Nada sendo dito, a cena interdita gesticulação, pois os corpos pendem, mesmo quando caminhantes. Não havendo diferença entre figura e fundo, entre seres e lugares, não há separação gráfica entre cenografia e corpos, mas indissolubilidade, de sorte que o próprio cenário se determina pelas personagens, cruzamento que pode fazer o mudo muito significar e o muito significante emudecer. Essa duplicidade na gravura torna o cenário semblante, pondo-se, subitamente, o casario a olhar, assombrando o passante noturno, anjo, bêbado, outro, nunca individualizado, nunca retratado. Na suspensão, surpreendem-se cenários e corpos a demonstrar que a necessidade interior se exprime.

Embora tenha feito algumas litografias na Europa, Goeldi começa a xilogravuras em 1923, ilustra livros nos anos 40 e 50, produz álbum em 1930 e, desde os anos 20, faz gravuras para periódicos, tornando-se conhecido por esta obra de muitos artistas e amadores. A gravura, como declara, surge nele como necessidade de disciplina, pois entende que seu desenho é divagante. As relações de desenho e gravura são, aliás, intricadas: Goeldi afirma que a gravura, por corretiva, é uma camisa-de-força da qual o artista se liberta pelo desenho, não se identificando, aqui, o desenho como fim em si mesmo e o desenho como instrumento, lançado e relançado pelo artista em sua lenta reflexão de gravador. É nesse horizonte, também, que a cor, a um tempo paixão e obstáculo, propõe-se: gráfica, ela nunca será estampagem."

Leon Kossovitch e Mayra Laudanna

KOSSOVITCH Leon; LAUDANNA, Mayra. A gravura moderna. In: GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende; fotografia da capa Romulo Fialdini. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p. 5.

OUTROS TEXTOS:

A GOELDI

De uma cidade vulturina
vieste a nós, trazendo
o ar de suas avenidas de assombro
onde vagabundos peixes esqueletos
rodopiam ou se postam em frente a casas inabitáveis
mas entupidas de tua coleção de segredos,
ó Goeldi: pesquisador da noite moral sob a noite física.
Ainda não desembarcaste de todo
e não desembarcarás nunca.
Exílio e memória porejam das madeiras
em que inflexivelmente penetras para extrair
o vitríolo das criaturas
condenadas ao mundo.
És metade sombra ou todo sombra?
Tuas relações com a luz como se tecem?
Amarias talvez, preto no preto,
fixar um novo sol, noturno; e denuncias
as diferentes espécies de treva
em que os objetos se elaboram:
a treva do entardecer e a da manhã;
a erosão do tempo no silêncio;
a irrealidade do real.
Estás sempre inspecionando
as nuvens e a direção dos ciclones,
Céu nublado, chuva incessante, atmosfera de chumbo
são elementos do teu reino
onde a morte de guarda-chuva
comanda
Poças de solidão, entre urubus.
Tão solitário, Goeldi! mas pressinto
no glauco reflexo furtivo
que lambe a canoa de teu pescador
e na tarja sanguínea a irromper, escândalo, de teus negrumes
uma dádiva de ti à vida.
Não sinistra,
mas violenta
e meiga
destas cores compõe-se a rosa em teu louvor.

Carlos Drummond de Andrade
ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummond de Andrade:poesia e prosa. Introdução Afrânio Coutinho. 8.ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 278-27

 

 

Biografia em ingles
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